Xote das meninas

Mandacaru quando flora na seca / É o sinal que a chuva chega no sertão / Toda menina que enjôa da boneca / É sinal que o amor já chegou no coração

Meia comprida / Não quer mais sapato baixo / Vestido bem cintado / Não quer mais vestir chitão

Ela só quer / Só pensa em namorar / Ela só quer / Só pensa em namorar

(Luiz Gonzaga – Xote das Meninas)

 

Quando criei o nome do blog, não sabia exatamente qual seria a pauta, mas sabia que seria papo de mulherzinha, das meninas, Des filles. Moda, claro, sempre; maquiagem talvez, não sou especialista (mando muito bem, modéstia a parte, minhas amigas que o digam, mas o melhor blog do brasil sil sil é de maquiagem, pra quê entrar nessa?) e qualquer outra coisa que me desse vontade – dessas de tirar o sono – de escrever. Eu já sabia que ia chegar até esse ponto, afinal, eu já tive dois blogs e os dois cairam pra esse lado. Só não imaginei que seria tão cedo.

Venho, então, num lapso de coragem abrir uma tag que, quem me conhece sabe que é completamente a minha cara, o cúmulo da exposição. Segurei o quanto pude, me perguntando, cheia de dúvidas há vários dias. Abri até enquete no twitter (meu mais novo esporte do meio dia, tão divertido!) mas hoje não deu mais pra segurar. Me peguei num almoço de negócios com aquela que é o exemplo de papo de mulherzinha muito bem escrito – tanto, que hoje é feito pros meninos – Tati Bernardi. A gente pode dar quote dela, falar que ela é demais, mas a gente também pode parar e falar: peraí, ela escreve isso que eu tenho tanta vontade e tanto medo de escrever. E escreve bem, a danada! Talvez eu também possa.

Pra ser completamente sincera, a maior parte do tempo eu não quero só falar de roupa (ufa!!!!). O que eu gosto mesmo é de falar de paixão. Como minha paixão passa por moda dia sim e outro também, a gente direciona. É melhor aceito isso das meninas de gostarem de se enfeitar. É muito mais fácil ver uma menina bonitinha mostrando uma sapato do que uma mulher louca abrindo o coração.

Como estou no comecinho, ainda tenho muito medo, lá no escopo lado A dos DesFilles, de cair no mais do mesmo (e sei que caio, vou cair, me dou o direito de continuar tentando) e ficar em papinho pequeno “gente, tem que combinar isso com isso e pode isso não pode aquilo, essa marca é deusa tudo e blablabla”. Esse risco é muuuito maior ao falar de coisas que tiram nosso chão, ainda mais quando essas coisas são pessoas. Lugar comum, é tudo tão banal, todo mundo vive essas coisas, não é mesmo? Pois é. Mas quando eu vou lá e pego um filme de 1941, é isso que o cara quer mostrar.

Completamente universal, completamente comum e completamente fascinante. Eu quero ficar aqui varando a noite, linhas e linhas de insonia. E dar risada, daqui a anos. Ou sentir tudo igual daqui a anos. Banalidade por banalidade, eu abro a tag que tenho vontade, pra me fazer escrever. Considere esse o meu Esmalte de semana. Então, decretado e justificado. Está feito. É uma tag que não vai ter hora nem obrigação de aparecer.

E viva a independência editorial!

 

Le plus beau vêtement qui puisse habiller une femme, ce sont les bras de l’ homme qu’elle aime.

(A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama)

Não fui eu que falei isso. Foi o Yves Saint Laurent. RESPECT.


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