U turn

Por que eu vou falar das suas atitudes tortas? Expor seus defeitos e dar conselhos, se ele paga 3 dígitos a hora para ouvir a mesma coisa?

Não pediram minha opinião.

É claro que o mundo vê, com facilidade, os desvios de personalidade. Eles gritam.

A simpatia forçada. Os comentários mal educados. E a falta gritante de “por favor”e “obrigado”.

É claro que depois de poucos meses o mundo sai correndo, ou então no máximo suporta, em conta-gotas mensais, algum tipo de convivência.

As pessoas o tem como o número dois, o rebound, o banco. Ele nunca se sentiu como o primeiro. O preferido. Escolhido.

Por isso, talvez, simula essa autoconfiança exarcebada.

Mas não sou eu que tenho que analisá-lo. E como todos, vou me calar.

Podia listar dúzias de defeitos inaceitáveis, com facilidade.

Não vou.

Já é duro demais acordar todas as manhãs sendo ele. Com as tristezas eternas que o estapeiam.

E assim, como sempre, estou eu justificando seus erros.

Coitado, ele é assim.

Ninguém justifica. Ninguém aceita. Ninguém tampouco dá conselhos raivosos de melhoria. Todos somem, fogem, sem dar explicação.

E assim quero, dessa vez, me camuflar na multidão. Calada.

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