Susurros

Eu dedico poemas. Letras. Palavras bonitas, sem motivos maiores.

Gosto de florear.

Me disseram, baixinho, no ouvido: eu nunca te vi assim. Sorri envergonhada.

Prefiro não pensar dessa forma. A memória é míope, às vezes. Não aceito desmerecer meu passado. Eu não quero admitir que nunca me vi assim.

Não que eu me lembre de nada parecido.

Reconheço que minha vida é recheada de grandes amores. As vezes me pergunto, como posso ter vivido tanto. Mesmo assim, pedi avidamente para viver mais. Me foi consentido.

Acho que tenho sorte.

Não sei se é diferente, mais do que cada história deve ser da outra. Não sei se é passageiro, se é um sopro de entusiasmo, se é finalmente, the real thing. Não arrisco palpites, não.

Me contento em trombar com versos que definam meu momento. Me contento com longos silêncios, olhos nos olhos, a qualquer hora. Me contento em saber que é maior do que qualquer coisa que imaginei surgir do nada pra mim, agora.

Me preencho ao acordar cedinho e olhar pro lado. Sensação inexplicável.

A minha vida tem sido maravilhosa.

Facebook comments:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>