Sobre objetividade

Minha amiga fez um blog. Pediu pra eu ler, opinar. Deu que eu era entendida.

Tá bom.

Falei: Amiga, nao entendi nada. Você só fala de sentimento. Você não bota nome nem data nem nada que me dê um norte. É difícil acompanhar.

E escutei: Pois é. Igualzinho o seu.

Ponderei. No meu blog, eu sei o que estou falando. Posso chamar verde de azul, porque toda vez que eu ler, eu sei que era verde. Posso bagunçar porque minha cabeça é organizada.

Mas a gente não escreve só pra gente (apesar de eu achar que escrevo 90% pra mim).

Não tenho sido subjetiva só no meu blog. Tenho um problema sério de falar pra ele o que penso. Falar que quero isso, ao invés daquilo. Falar aonde quero comer hoje, ou o que sinto por ele, tudo. Quando tento, rodeio demais.

Já fui melhor nisso.

Falei no fim de semana pra outra amiga sobre o seu comportamento que estava me incomodando. Fui direta, sem ser grossa. Consegui fazer ela entender a ainda fazê-la mudar de atitude. Um sucesso.

Respirei fundo pra fazer o mesmo com ele. Tentei uma vez, funcionou mal. Na segunda, um pouco melhor. Até hoje eu não sei como que eu consigo estar com alguém e ser tão completamente travada na comunicação. Nunca fui.

Ele, que parece ser muito menos direto na vida real, tem progredido bem mais que eu. Não sei o que é, o que me intimida, mas quando eu descobrir eu juro que falo.

Sempre fui muito aberta com os caras que eu fico. O que nem sempre é bom – talvez por acreditar agora nisso, eu tenha sido menos.

O blog pode ser um espelho disso tudo. Pode ser uma vontade de me expor menos. Pode ser uma firula literária cansativa – essa é a minha ultima teoria para a subjetividade no blog.

Prometo que vou melhorar.

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