Sobre dar o melhor de si

Tive um sabado super esquisito. Depois da sexta feira incrível, decidi dormir e fugir do dia, como que se esperasse já algo desagradável. Acordei já quase de noite, combinei de sair com as minhas amigas, não pensei muito e fui.

Não dei sinais de vida também.

Minha cabeça estava na idéia de que o sabado ia passar batido e o domingo ia chegar matando, anunciando outros quatorze dias de espera.

Mas eu não podia fazer nada, enfim.

Resolvi tentar esquecer. Saí, conversei, ri – o tempo passou e eu dei sinal de vida. Me convenci que era mais por desencargo de consciencia.

Mas não era.

Fui sabotando todas as esticadas possíveis do meu sabado com as amigas. Desistimos de ir pra boate, desistimos de ir pra casa de uma delas, e cada uma foi tomando seu rumo.

Eu não queria ir pra casa.

Fiz uma hora e ele ligou. Quero te ver. Como eu estava esperando exatamente por isso durante as ultimas 6 horas que eu estava acordada, acabei indo.

Para então me deparar com um engravatado completamente bebado, que não conseguia formar uma frase de tres palavras.

Difícil.

A gente faz o possível nessas horas. Tudo bem que ter ido e ter esperado já estava claro a esse ponto ter sido uma péssima idéia – mas estava feito. Bastava então ficar calada, ser compreensiva e ignorar as tiradinhas, e eu sobreviveria.

Mas não é meu papel.

Dentro do definitivamente indefinível, uma hora a gente acaba tendo que escolher que lado que vai ficar para não se fazer de palhaça.

Porque tentar ser legal, e cool, e compreensível no fim dá em ser palhaça.

As pessoas abusam.

E no fim das contas a gente percebe que não há liberdade ou intimidade pra achar ruim, pra ficar chateada, pra ser qualquer coisa além de uma pessoa tranquila e sorridente e bonitinha.

O que, obviamente, não me descrevia naquele momento.

A gente faz o melhor que pode. Tenta não ser chata, evita conflitos. A gente tenta se manter leve e otimista. A gente tenta passar por cima de distancias, e conversas atravessadas, e expectativas frustradas.

Mas quando acontece de levar pra casa uma raiva contida e a cabeça cheia de indignações, conclui-se que não dá mais pra ser leve e tranquilo e indefinido – se não voce não consegue mais acompanhar.

Tem certas coisas que a gente tenta, mas simplesmente não dá.

Melhor admitir.

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