Poeira de estrelas

Quanto tempo tem que não escrevo? Que não paro, não articulo, não defendo meu ponto de vista sobre uma coisa qualquer? Tem tempo. Um tempo burro, apático, um tempo vazio.

Vazio é uma palavra que entra na discussão de muitas coisas atualmente na minha vida. O analista fala, com frenquencia, que isso ou aquilo esvaziou. Gosto mais de falar que perdeu o brilho.

Vazio nada é na verdade.

Nada, além do meu tempo. Uma semana cheia de sonhos e vazia de todo o resto. Porque quando o tempo esvazia os sonhos ficam livres.

Eu gosto dos sonhos.

Tenho me alimentado deles por meses. De tempos em tempos, eles vinham e pulavam, no escuro, pro mundo real. Me apresentavam outros desfechos, novas palavras, muitos sorrisos. O mais gostoso é quando a realidade vira sonho.

Triste que as vezes a realidade é, simplesmente, a realidade. É o transito do meio dia, a preguiça no meio da tarde, a depressão na quinta-feira.

O sonho não está preparado para a realidade.

O sonho não convive com o ciúme, não lida com mil inseguranças, não gosta de choros e reclamações.

Mas a gente, a gente é de verdade. A gente tem medo, e sofre por talvez não ser bom o bastante ou por não conseguir as coisas que a gente quer muito. A gente as vezes acorda um trapo e pede ajuda pra quem não devia. A gente quer colo, sempre.

No fim, acaba que o sonho não alimenta ninguém. Colore aqui e ali o nosso dia a dia e participa mais ainda das horas especiais. Mas não é isso que segura.

Existe muito mais além da superfície.

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