Picuinhas (post amargo)

Tinha uma dúzia de coisas legais pra falar mas agora eu tenho uma chatice pra botar pra fora senão eu não durmo. Não quero chatices. Não quero reclamar, estender, só quero esquecer.

Mas como não dá, eu jogo na tela. Paciência.

Meu carnaval em diamantina foi muito bom e maravilhoso e inesquecivel (tralala) por, digamos 24 horas. As outras 48 estão me rendendo até hoje dor de cabeça e chateações tão grandes que pra mim melhor seria se eu nunca tivesse ido in the first place.

Pra começar, minhas duas amigas mais proximas, mais amadas e mais essenciais – que por acaso não se conheciam quase nada até então – sinto que depois de alguns dias são mais amigas uma da outra do que minhas. A experiência de quatro dias juntas foi tão forte que o bonding superou todos meus anos ou meses investindo com todo o carinho e atenção que eu consegui dar pra cada uma delas (se não foi o suficiente, nao deixa de ter sido o meu melhor).

Acho que com o tempo (e a idade), fica mais facil se conformar por ter dado o seu melhor. Por ter feito o que você pôde pelas pessoas que você ama. Lembro de inúmeras ocasiões no último ano que não tive tempo, que me distraí, que não pude conciliar e fiquei em falta com alguma amiga minha. Sou relapsa, bastante. Mas lembro, muito mais, das vezes que estive lá. Das vezes que parei tudo pra ouvir, pra tentar aconselhar. Que tirei meu tempo pra ajudar em qualquer coisinha, pra fazer companhia. Mais do que em outras épocas, ainda bem, foi frequente a minha preocupação em parar e focar no outro, estar presente. Sempre que pude.

Tanto que resolvi dividir com cada uma a amiga legal que eu tenho.

Por azar, ou por burrice, ou por algum motivo misterioso que eu ainda não consegui encontrar eu caí num conflito sem sentido com as duas na noite do segunda pra terça, de carnaval. O arrependimento veio infalível 15 minutos depois. Uma delas ficou do meu lado o resto da noite, pelo menos o resto da minha – o que não necessariamente diminiu a gravidade do conflito, mas pelo menos ela ficou lá e isso aconteceu claramente porque eu me arrependie ela notou. A outra, aparentemente, notou e nem ligou. Virou as costas, seca, e sumiu no mundo. Dessas cenas que a gente repete mil vezes na memória e todas, todas as vezes acabam comigo.

A última coisa que fiz essa noite, numa tentativa final de me redimir, foi pegar com dois caras que já estavam indo embora de diamantina os seus abadás do camarote (ou area vip, nao sei), voltar no quarto e deixar pra elas. Não me lembro da cara deles, e nem de ja ter visto os dois antes, e muito menos de saber que eles me cederiam os tais abadás. Na hora, aconteceu. Eu poderia, o que é muito comum pra mim, ficar com rancor delas (que eu estava sim bastante, mais de uma que da outra) e deixar os caras entrar no taxi e sumir no mundo.Só que na hora, pelo menos, eu estava com a idéia de que eu estava mais errada do que elas. Foi meu jeito de pedir desculpas.

Hoje, pela segunda vez, foi jogado na minha cara uma história do que os tais abadás estavam combinados de serem herdados por elas e eu fui a culpada por elas terem ganhado só 2 em vez de 3, por causa um bate-boca que tive (admito) com um gordinho no café por ele estar malhando todas as mulheres que ele pegou na noite (o que por acaso, é um tema pra post por sí só).

Se o tal gordinho tinha algo a ver com os dois moços do taxi, isso é uma incógnita. O que é muito provável, no meu ponto de vista, é que se eu tivesse resolvido ignorar, elas teriam ou 1, ou nenhum abadá.

O que acaba no saldo de que nem eu tiro vantagem pelo feito, nem elas jogam uma discussão que elas na hora aprovaram (ou no minimo fizeram cara de que aprovaram) na minha cara.

No fim das contas, quase três semanas depois, fica difícil ouvir uma tiradinha dessa de uma pessoa para quem você fez mais umas dez coisas desde então pra se redimir, e que ainda está na sua cabeça a cena dela virando as costas e sumindo no mundo, sem querer saber.

Eu faço, sempre, o meu melhor. Uma vez ou outra, o meu melhor acontece de ser pior que o aceitável. Mas eu continuo tentando, o meu melhor.

Por isso mesmo que a moral da minha história é que, a próxima vez que eu resolver fazer uma coisa legal por alguém que pisou em mim (talvez porque eu ache que a pessoa tem um pouco de razão), eu vou me lembrar que me fudi no fim das contas.

E vou fazer mesmo assim.

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