O cartão

É o fluxo natural da minha vida: quando o cartão sai com dificuldade é porque a história pereceu.

Eu adoro sentar na minha mesa e escrever meia dúzia de linhas para parabenizar, elogiar e agradecer. No início, faço fora de datas, sem motivos. Até falo mais do que devia. Recheio uma coleção de recados, cartões e cartinhas digna de história perene.

Só que uma hora eu travo.

Não que eu não tenha o que escrever. Normalmente tenho. Com certeza vou repetir coisas já ditas, ou reinventar o que todo mundo já sabe de cor. Mas assunto é raro faltar.

O problema é quando você se mede. Acha que a pessoa não merece ouvir. Que foi por tudo que você falou que as coisas são hoje como são. E só aparecem lugares comum, cheios de “mas”, “porém”, “apesar” e “no entanto”. Não dá.

Pelo que já vivi, isso é completamente irreversível. Daí a um tempo você até volta a acreditar que tudo deve ser declarado em um papelzinho de 15×20, mas você ainda não consegue. Porque, é provável, a naturalidade se perdeu para sempre.

É triste.

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