Mulherzinha

Carrie Bradshaw raramente usa calças compridas. Nem jeans. Nunca pões um all star, acorda cedo e sai pro dia.

Por que ela é minha referência?

Carrie Bradshaw só fala de homens e de sapatos. Às vezes fala de marcas (normalmente elas gritam sozinhas). Tem mania de correr de salto, se equilibrando em Manhattan.

Isso não é transponível pro mundo real.

Fala das amigas também; de gente, como as pessoas se tratam, de comportamentos.

Mas falta alguma coisa.

É como tenho visto minha vida.

Porque não é suficiente jogar um post falando como a fila anda rápido.

Nem contar da palhaçada que meu ex aprontou.

Nem de quem tem me ligado ou me procurado por saber que eu estou solteira.

(Essa vidinha é muito vazia.)

Sério. Por que ultimamente o que me define é o bonitinho que desfila comigo no fim de semana? Por que meus compromissos se resumem a marcar a manicure pra quinta a noite, pra encontrar com ele? E por que minhas tristezas são definidas por ele não ter ligado, ou ter dado um perdido num sábado qualquer?

Bem ridículo.

Tenho acreditado que, daqui a uns 30 anos, a nossa geração vai ser identificada como bem mais mulherzinha do que a gente imagina. Bem mais vazia, dependente, infeliz.

(Em todo lugar que eu sento as meninas só falam DELES)

E quem são eles? O que eles tem trazido pra gente? E quanto vão se abalar se uma de nós sumir? (Nada, tem sempre uma outra.)

Estou cada vez mais cética e irritada com esse clichezinho menino/menina. Quero muito falar disso, o tempo todo, mas não consigo.

Porque mais um bonitinho me vem à cabeça.

Socorro.

Facebook comments:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>