Mário, que Mário?

Esses dias vivi? Eu não sei se alcançar a felicidade máxima, extasiar-se aí, e sentir que ela, apesar de superlativa, inda cresce, e reparar que inda pode crescer mais… issso é viver?

A felicidade é tão oposta à vida que, estando nela, a gente esquece que vive. Depois quando acaba, dure pouco, dure muito, fica apenas aquela impressão do segundo. Nem isso, impressão de hiato, de defeito de sintaxe logo corrigido, vertigem em que ninguém dá tento de si.

E fica mais essa idéia que retoma-se de novo a vida, que das portas do Paraíso Terrestre em diante, é sofrer e impedimento só.

Estou convencido: Não vivi esses dias.

* Mario de Andrade, Amar: verbo intransitivo.

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