Mania de reclamação

Por que eu sou tão relutante eu falar de coisas boas? Em descrever os pontos altos da minha vida? Deles lembro sempre mas, na hora de escrever, é misteriosamente muito mais legal falar das coisas chatas.

Colocar pra fora o que a gente ainda não conseguiu engolir.

Desde janeiro, mais ou menos, eu estava com planos de ir pra São Paulo pra formatura de um grande amigo e de uma grande amiga. No meio do caminho, desisti de ver o amigo (pelo menos nessa ocasião, porque era incompatível com a realidade atual) e desisti de ir na formatura da minha amiga, sem desistir de vê-la. Inventei de trocar a formatura pelo aniversário dela e fui. Por motivos óbvios para quem me conhece (e de explicação desnecessária para todos), o foco principal dessa viagem de fim de semana acabou sendo outro e pelos mesmos motivos óbvios (apesar dos milhões de medinhos e medões que eu declarei para as minhas amigas, bêbada, da madrugada anterior) foi muito mais do que maravilhoso.

Já falei algumas vezes das sensações do que passei nesses dias. Mas falar objetivamente desse fim de semana eu não falei. Aliás, rodeei 10 linhas em cima desse tópico, da forma mais subjetiva que consegui, quase querendo esconder a minha felicidade. Tentando omitir as dúzias de momentos lindos que eu faço questão de lembrar todos os dias, para me alegrar. Quase com vergonha de ter sido tão feliz.

Na semana seguinte, toda vez que coloquei alguma minhoca, grande ou pequena, na minha cabeça, despejei posts enormes, pesados, detalhados, nesse blog. Reclamei, fiz drama, parafraseei.

Nesse último fim de semana vivi dois dias de felicidade surreal, uma noite de sonho, 24 horas corridas de completa perfeição. Nas 24 seguintes, tive duas horinhas de dor de cabeça, de ciúme, descrença, paranóia, tudo de ruim.

Foi tudo que falei durante a semana. Tudo que me fez parar para escrever. Tudo que me cutucou com a música no rádio. Que tirou meu sono. Que me fez perguntar, duvidar, me questionar a exaustão.

O meu desejo imediato é movido a aflição.

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