Making an ass of yourself is underrated

Faz seis meses desde a última (e primeira) vez que isso aconteceu: eu estava no avião cruzando o atlântico e, descuidadamente, assisti a um filme que me tirou do prumo, me rendeu lágrimas envergonhadas mas cheias de sentido. Da outra vez você estava comigo. Dessa também.

Queria deixar registrado que eu ainda acredito que é você. Talvez porque quero futuramente perceber o quanto me engano, talvez porque eu torço para me provar certa. Eu não lembro de sentir isso tão forte – você poderia dizer “uma ilusão tão real”- e de certa forma isso sempre esteve lá, essa certeza, eu só não precisava de te convencer dela (e nem comunica-la, aliás). Não precisava te convencer a entrar nesse barco (ou avião), você já estava lá comigo.

Concordo quando você diz que está fora do meu controle, que tem que deixar o tempo rolar, mas ao mesmo tempo eu não posso me dar ao luxo de não fazer o melhor que puder. Nesse caminho eu acabo batendo cabeça, me machucando, ferindo o meu (já deficiente) orgulho. Na sequência eu me levanto, cresço e tenho continuado. Acho que ésse é o meu caminho. Mesmo.

Já perdi quem eu gostava, mas nunca acreditei tanto que a escolha foi errada e levava a uma felicidade menor. Estou em paz com o que está acontecendo quando me convenço de que é uma fase, uma etapa pelo qual você e eu temos que passar – estou crescendo e insistir no que eu quero faz parte disso – mas, olha, como eu tenho medo de um fim da linha prematuro, uma decisão que mude tudo irreversivelmente. Não consigo cruzar os braços. Não consigo.

Você fica de uma forma ou de outra. A gente vê como.

Tudo em você pra mim é full circle. Sei que é uma justificativa egoísta e que não te faz sentido – às vezes até tento me convencer disso também. Aí aparece um filme, um livro, uma história, um choro no avião derramado de você.

Eu quero coisas grandes. Eu quero coisas que pareciam impossíveis. Talvez por isso mesmo que eu encasquete com esse tipo de impasse, o mesmo que todo mundo enxerga como grande demais. E se sobreviver? E se não, na verdade, não é briga perdida. Olha só como eu me fortaleci com tudo – é o que espero dizer. Pode também soar egoísta. Mas é a minha briga.

Aprendi (também por experiência própria) a diferenca em querer mudar a situação e querer mudar o outro. Isso me convence ainda mais. Não tem um Ah se você fosse diferente / Ah se você crescesse / Ah se você tivesse planos ou valores diferentes. Não é isso. Não é como enxergo. Não quero mudar premissas, só variáveis.

Em horas mais Poliana, me vejo por um viés de aprendizado e crescimento. Como falei, não sou orgulhosa (ah, vá!) e apesar de viver tentando calibrar isso para que eu não vire capacho (ser teimosa e esquentada ajuda muito) tenho orgulho (!!!) de ser assim. Adoraria falar que você perdeu, playboy e dar risada do alto da minha vida incrível mas no mundo real não é bem assim – e quem acha que é corre o risco de estar vendo a vida de forma rasa. Estou aberta e perceber estar errada, a mudar de ideia mas, enquanto isso não acontece, bora crescer com as adversidades.

In away, I could say you were my heaven and my hell at the same time. You are still both. You are still my heaven ’cause you keep making me grow.

Quando eu consigo regular a química, eu tenho estado muito em paz, feliz comigo. Estar sozinha me mostrou que eu gosto do olhar que as pessoas me oferecem ao me conhecer. Me faz sentir boa no que sempre quis ser boa. Me mostra meus defeitos escancarados, para que eu não me esqueça e continue me lapidando, sempre. É delicioso estar sozinha? Não, nem tanto quanto estar em boa companhia. Eu sou uma pessoa social, afinal. Mesmo assim ainda é gostoso, eu aproveito: tenho prazeres diferentes, calados, em outro ritmo. Olho para a senhora jantando sozinha ao meu lado no restaurante bacana a que me levei: ela toma vinho, eu também. Ela parece feliz. Eu também. O medo ainda surge – acho que as chances de ficar só aumentam quando se fica tão em paz com isso. Estou caminhando por aí.

E é isso, sabe. É sobre meu amor por você. E você fique ou vá embora, é sobre meu amor por mim. Essa história de tapas e beijos – a minha – tem tomado um rumo feliz.

E eu não posso esperar pelo que tem lá na frente. Te vejo lá.

beijos

Lorena

 

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