For a girl – 15 de abril de 2008

(Estou republicando esse meu texto de 2008 porque acho que dá muito pano pra manga na discussão que começou no post-desabafo anterior. Vamos ver se depois eu dou andamento a esse assunto.)

No meio dos estudos, nos idos de 7 e pouco da manhã (horário impróprio para qualquer tipo de atividade senão dormir), lembrei da musica da Madonna:

Girls can wear jeans
And cut their hair short
Wear shirts and boots
cause its ok to be a boy
But for a boy to look like a girl is degrading
cause you think that being a girl is degrading
But secretly youd love to know what its like
Wouldnt you
What it feels like for a girl

Jogando com isso, o livro falava de ideais de comportamento e aparência de gênero como sendo atualmente ainda hegemônicos pros homens, e já conflitantes para as mulheres.

Sendo assim, os homens têm um universo muito mais delimitado, menos livre, para agir e parecer. Estão dentro daquilo: têm que reproduzir concepções de poder físico, de controle, virilidade, heterossexualidade, conquistas profissionais e papeis familiares patriarcais. Ponto. A moda roda em torno disso e não tem muito onde criar.

Se segundo a Madonna, to look like a girl is degrading, pra mim, é mais no sentido de being stuck with that is degrading. Não?

Já o feminino, que foi até outro dia mesmo hegemônico, transita hoje num universo quase infinito de referências:

As mulheres são confrontadas com concepções muito diversas de identidade feminina, que vão da expressão de uma sexualidade espalhafatosa e marginal até o empoderamento e domínio femininos. Algumas imagens são conservadoras, enquanto outras procuram expandir a definição de sexualidade aceitável e de preferência sexual. As feministas vêem a feminilidade hegemônica como um conceito de feminilidade baseado em padrões masculinos de aparência feminina, os quais enfatizam atributos físicos e sexualidade e estimulam as mulheres a olhar para si mesmas e para outras como os homens a olhariam. Entretanto, a postura das mulheres mais jovens com relação às imagens da mídia identificadas com a feminilidade hegemônica parece estar caminhando em direção a uma concepção dessas imagens como indicações de poder, não de passividade. 

Será? Tudo bem que essa justificativa de poder ser tudo já funcionou outros em momentos específicos. Hoje percebo que, quando se é tudo, é pelos motivos errados. Comparemos Feiticeira com a própria Madonna. Não é bem a mesma coisa.

Mas eu gosto ainda dessa idéia. Gosto da liberdade do ser, ou pelo menos do parecer. Poder ser boyish (no L Word funciona e eu adoro uma pega andrógina), poder até ser linda, impecável. A moda corre aí, num sem numero de possibilidades, quase imprevisível. Muito mais legal.

Mas tem que justificar direito. Não vale só sair rebolando e falar que é pra dominar a moçada. You can do better, girls.

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