Depois do fim.

Ipod no shuffle e simbora para a terapia. Já fazia mais de 3 semanas que eu estava evitando as sessões.

Faltou dinheiro. Faltaram problemas. Depois, faltou coragem. Meu namoro acabou nesses últimos dias e eu sabia que ia levar bronca. Bronca por ter estragado tudo, bronca por ter jogado no lixo o namoro perfeito. Parece que ela já previa.

No meio do trânsito das seis da tarde, o shuffle escolhe Real World, de Matchbox Twenty. Música de 1996, de um CD que foi trilha do primeiro dos meus corações partidos, por um menino homônimo que está na minha vida até hoje. Que coisa.

Não sei de vocês, mas nunca me contaram que eu passaria mais de década nessa brincadeira de desencontro. Na minha cabeça seriam 2 ou 3 erros e um eventual acerto eterno. Mas aí a gente entende no meio do caminho que a procura é bem maior. E quando acha que parou de procurar, pronto. Acontece outra vez.

Quinze anos e estamos aqui, eu e Rob Thomas nos entendendo no trânsito das 6 da tarde. Algumas coisas mudaram: a voz sai do alto falante do meu carro, e não do discman que eu carregava na mochila e ouvia no ônibus, voltando do colégio. A raiva é a mesma. As perguntas são igualmente enormes. A dor é menor.

A ausência de dor, aliás, têm sido minha preocupação nesses dias que se passaram. Seria falta de gostar? Eu, tão melodramática, vinda de uma depressão devia estar me descabelando, não? Será que não caiu a ficha?

Por muito menos perdi o chão. Me acabei pelo fim de coisas que nunca começaram, por planos desfeitos, por quase nada. Tentei lembrar de términos contra a minha vontade que não tiraram minha dignidade. Não teve. Nunca aconteceu.

Por isso mesmo é engraçado assistir a preocupação dos meus queridos, de amigos que me conhecem bem, da minha família zelosa que teme pelo meu esperado desequilíbrio. Afinal, esse cara é O cara. Foi nele que investi meu tempo e meu coração, e dele eu esperava (e tinha) tudo. O fim é a ruína. Não podia ser menos.

Mas o que nem eu nem eles tínhamos percebido é que a minha dor vem de outro lugar além da desilusão, do coração partido. A minha dor vem da culpa e do arrependimento. Eu bem que tenho procurado esses dois, mas ainda não encontrei.

Facebook comments:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>