Dê ao povo o que o povo quer

Então bora lá, uma tentativa de post prático pra quem pede e pra quem gosta! Sei que falo muito mais de pensamentos e sentimentos do que acontecimentos, então vou juntar a minha vontade de reviver meus últimos dias com a vontade de virar o blog de cabeça pra baixo – em seguida eu volto a ser subjetiva pq é bem mais gostoso!

Assunto #1: a monografia. A minha monografia linda de tema lindo está parada há duas semanas e eu tenho exatas 20 horas pra estourar meu prazo (meu prazo mesmo, estipulado por mim; o prazo real é só dia 9, mas só aceito adiar meu prazo pra sexta feira e olhe lá). Na verdade, a monografia é assunto número um só nesse post, porque na minha vida eu coloco tudo na frente dela: o namorado, o email do namorado, o telefonema do namorado, dormir, qualquer coisa que envolva as amigas, malhar, um cineminha na quarta feira, ir à Farm, abastecer o carro, viajar, ver tv e etc. Mas agora ela terá que voltar a ser prioridade, pelo menos nos próximos três dias. Tudo por causa do segundo assunto:

Assunto #2: A África! Se tudo der certo estou logo logo indo para o continente perdido, terra das mazelas, das girafas e da escola da Oprah. Estou louca pra ir pra lá. Primeiro pra viajar com meu avô, que é esquema top e raro na minha vida. Segundo por que quando é que vou poder ir pra África de novo?

Tudo bem que viajar significa me privar da coisa mais gostosa da minha vida atualmente, mas só por tempo limitado.

Assunto #3: a coisa mais gostosa da minha vida atualmente.

Confesso que mesmo com alguns poucos meses de namoro ainda morro de medo de ir me hospedar na casa do bf e pagar de mulherzinha por cada vez mais dias. A primeira vez que fui (corajosa!), a gente nem namorava (ou seria cara-de-pau?). Fiquei o mínimo que pude por extremo terror de tudo dar errado e a gente ter que ficar olhando um pra cara do outro até a hora de ir embora. Ridículo repetir que nada deu errado, obvio, porque foi aí que o namoro começou a engatar, mas ainda assim, toda vez que eu estendo as noites da minha estadia, eu fico pensando que é dessa vez que um vai enjoar da cara do outro. Não foi diferente da terceira.

(Falando nisso, enjoar mutuamente da cara do outro é o melhor termino de namoro que pode existir, porque todo mundo fica feliz na hora que realmente acaba a temporada juntos.)

De qualquer forma, mesmo com medos declarados e repetidos, pagar de mulherzinha na casa do meu namorado virou esporte preferido. Me sinto na década de 50 quando me vejo fazendo hora pra ele chegar em casa no final da tarde, ou planejando jantarzinhos no sábado a noite, mas pra falar a verdade até que fui bem feliz assim. Tudo bem que cheguei em BH com vontade de sentar num bar com as amigas e malhar todos os homens babacões do mundo, depois sair pra beber e dançar, só com elas – para recuperar meu lado independente/dona de si, que está perdido até hoje por sinal.

Pra falar a verdade, fora a parte de pagar a língua, tudo tem sido perfeito demais nesse quesito. Passamos cinco dias fazendo planos, realizando planos, e dormindo às 5 da manhã. Essa parte de dormir às 5 da manhã pra mim é incrivelmente importante porque o meu namoro anterior me dava um conforto tão grande que acabava me dando sono. Literalmente (não vai achar que é uma figura de linguagem maldosa!). Saía pra jantar e queria chegar em casa pra dormir. Assistia a um filme e dormia na metade. Ia pra uma festa e ficava cansada cedo. Então é sensacional que agora, mesmo só conversando no sofá, a gente perde a hora. Ficamos vendo filme até tarde. Tomando vinho até de manhã.

Acho que meu namoro tem uma dinâmica muito forte de “vamos aproveitar cada segundo, vamos viver intensamente”, que foi criada desde o começo. Meu namorado foi o primeiro cara que eu fiquei estando completamente bêbada, numa viagem que eu fui completamente por impulso, pra ver ticolé e porque eu não sentia que estava aproveitando a minha vida direito. De cara, ele estava lá do meu lado querendo esperar o sol nascer. Foi ele que topou voltar pra casa às 9 da manhã, o resto das pessoas já tinha desistido há um tempão. Foi assim que começou e isso, acho, definiu uma parte grande do que é até hoje.

(Por que o estranho que eu peguei bêbada virou meu namorado permanece sendo um mistério.)

Também acredito que essa disposição vem da clareza que os dois têm de tudo que não deu tão certo assim no namoro anterior de cada um. Os dois tinham acabado de sair de relacionamentos longos e lembram muito bem que as paixões esfriam, a rotina toma conta, os defeitos e implicâncias ficam maiores (e toda briga vem com uma lista infinita de brigas velhas pra jogar na cara do outro).

Tenho uma amiga que fala muito sabiamente que é a coisa mais burra do mundo comparar um amor novo com o relacionamento anterior: uma paixão que está nascendo é obviamente muito melhor que um amor em fase terminal. Mas ter essa consciência, aliada à perspectiva concreta do que é bom e do que não é tanto, serve muito pra fazer ser melhor na próxima tentativa.

Isso fica muito claro nesse namoro. Todo mundo quer aperfeiçoar, fazer diferente. Tudo bem que você está lidando com uma história e uma pessoa completamente nova, mas só de trabalhar o próprio comportamento tudo muda. E isso virou tema de discussão recorrente entre a gente.

(No começo a gente discutia como se fosse uma necessidade, mas agora parece que tomamos gosto por pagar de especialistas em namoros longos e recomeços.)

No embalo do namoro perfeitinho e numa das tarde ociosas na casa do namorado, peguei um episódio de Sex & the City onde Carrie Bradshaw está praticamente surtando por estar vivendo um namoro aparentemente perfeito. Me identifiquei. A gente às vezes, burra, sente falta do drama e questiona as coisas boas. Não lembrava muito bem do episódio e podia ser que a Carrie estivesse certa e o cara nos próximos 20 minutos de história se mostrasse um completo idiota. Mas era o Aidan (se você não sabe quem é o Aidan, o que ele representa pra Carrie e como ele supera o Mr. Big, please google it!). Fiquei feliz.

Tudo bem que meu namoro tem sua vertente novelinha mexicana, bem presente desde a primeira semana, o que serve para conter minhas inquietações (só eu pro drama ser um objeto de contenção de inquietações!). Na verdade, o drama tempera, cria onde fantasiar e isso tudo é muito gostoso.

Perfeito até no drama. Tá osso.

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