Contraponto (About the drama)

Vou mentir se falar que não tenho medo. Que quando acordo a noite, penso nisso, de olhos arregalados. Às vezes, na fila do cinema, penso também. Quando estou sozinha, pode estar acontecendo agora. Em outras horas, olho bem nos olhos, na tentativa de pescar, absorver, conseguir identificar qualquer coisa.

Mas isso, é quase nunca. Não é uma grande preocupação. Só está no plano de fundo da minha cabeça.

Acho que é um aprendizado, um exercício útil essa história de perder o controle. Tenho tanta mania de dar notícia do mundo, de manter um poder invísível sobre tudo – mesmo à distância – e isso é o caminho mais curto para o completo desequilíbrio. A entrega é gostosa, confiar de olhos fechados. A gente fica mais leve e mais feliz.

Ignorance is bliss.

Vejo que os outros se preocupam mais que eu. Opinam mais que eu. Perguntam mais que eu. Um bom assunto pra discussão na quinta a noite por exemplo.

Compreendo. Só dá pra entender, de fora, a preocupação. O problema. A minha felicidade não é transponível. Dá pra ver, sim, mas não é uma questão concreta.

Não é pra comentar na mesa do bar. O povo tem muito mais predileção pela intriga, pelo conflito.

Aproveitem à vontade!

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