Comprar menos, gastar melhor.

No última ano a minha vida mudou muito e as finanças entram no pacote. Até então, tinha um apê lindo, um salário certinho que me permitia fazer viagens bacanas e comprar coisas bonitas aqui e ali. Eu poupava, sim, mas não preocupava muito com o que eu gastava.

Depois de todas as transições – que não vêm muito ao caso no momento – resolvi enxugar a minha estrutura e simplificar a vida. Vendi o apê bacana por uma grana boa – na qual eu nem encosto, vale dizer – e abri mão do emprego seguro para apostar em coisas minhas. No curto prazo, obviamente, o salário ficaria comprometido. Como eu gosto de viajar (talvez mais do que eu goste de roupa), decidi dar uma freada no meu ritmo de consumo para conseguir manter meu ritmo de peregrinações.

Vamos combinar que  ambos são bem acelerados.

A mudança de casa também ajudou a repensar a quantidade de coisa que entrava no meu armário. Antes, em janeiro, passei quase dois meses pela Ásia feliz vivendo com uma mala de 15 quilos (eu falo disso bastante neste post) e ainda me achando gata com os looks. Quando voltei, dei de cara com a quantidade de coisa que eu tinha que carregar e armazenar para conseguir me mudar e entrei em pânico. As minhas roupas lindas e dúzias de sapatos e bolsas se tornaram uma armadilha.

Ter muita tranqueira pesa a vida.

Estava decidido: ia ter que reduzir o volume de coisas pela metade. Nessa conta entraram também livros, móveis, utensílios em geral. Mas é no armário que o bicho pega. E é dele também que saem os aprendizados que, acredito, muita gente pode estar precisando e querendo aproveitar.

Na casa antiga eu tinha um closet razoavelmente espaçoso e duas araras onde eu deixava os looks da semana penduradinhos. Essa brincadeira quase sempre era bem gostosa, mas gastava um tempo ridículo do meu domingo. Exigia simplificação também.

No apê novo eu decidi manter só as duas araras, pra guardar tudo pendurado. Uma cômoda, que eu já usava, e um par de prateleiras serveriam de apoio para colocar coisas dobradas. O que não coubesse, não ficaria. Sem choro, sem barganha. O combinado era só meu e eu tinha que cumprir.

Na hora da seleção das peças que são mantidas e das que saem, fica óbvio o disparate: várias foram usadas só algumas vezes e já deram canseira, outras me acompanham há anos sem enjoar. Poucas se destacam – são justamente aquelas que eu sempre coloco na mala – pela frequência de uso e tamanho do amor. Aí a gente vai percebendo que o resto, por mais lindo que seja, pode ir embora. Não faz tanta diferença assim.

Tudo que eu não tinha usado do início de 2012 para frente estava automaticamente descartado. Uma ou outra (bem poucas mesmo) peça de valor sentimental foi pra um acervinho que eu montei na casa do meus pais (coisa pequena, um canto do armário) que eu brinco que servirá de herança pra uma futura filha. No fim da limpa, pasmem: quase cem peças para um bazar do desapego.

Nenhuma dessas lições são grande novidade, mas acho que vale o depoimento de quem passou por essa faxina recentemente e resolveu mudar o jeito de comprar. Mudei também, um pouco, o jeito de me vestir. Acompanho tendências, babo como sempre, mas tenho absorvido bem menos modismos no meu dia a dia.

Isso nos força, na verdade, a prestar maior atenção no nosso estilo, ou mesmo trabalhar pra desenvolver algum. Tem muito profissional incrível que pode dar uma ajuda mas, pra eu que tenho moda como minha maior brincadeira, é mais interessante passar por esse aprendizado sozinha, no meu tempo.

De todo esse resumão, dá pra tirar um monte de pequenas lições. Quero passar com cuidado por cada coisinha que aprendi. Quero mostrar, pra quem compra desenfreadamente, que existe uma vida mais gostosa, com mais dinheiro na conta no fim do mês. Pra fazer o que tiver vontade.

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