Como virei ruiva

Quase toda semana tem alguém me perguntando sobre a cor do meu cabelo: se é natural, como eu fiz, qual tinta uso, se é difícil. Resolvi contar a história do meu ruivo bem detalhadamente por aqui, para tirar todas as dúvidas. Amo ser ruiva! Acho que nunca mais vou ter outra cor de cabelo.

cabelo ruivo motivos dicas para o vermelho perfeito

 Há uns dois anos inventei, de uma hora pra outra, que queria uma franja – franjão mesmo, cheio e reto – e me mandei pro cabeleireiro no mesmo dia. Desde que vim para São Paulo, dei para testar os salões estrela – esses famosinhos que saem nas revistas – e dessa vez quem me atendeu foi o Wanderley Nunes. Eu conto a saga da franja, bem detalhadamente, aqui.

Nesse dia, o moço sugeriu que eu ficasse ruiva. Logo eu, tão apegada às minhas luzes naturais, que carrego desde os quatro anos de idade. É verdade que sempre amei ruivo, mas nunca tinha considerado pra mim. Ajuda o fato de eu ter uma desafeta que desde a adolescência fazia experimentos com papel crepom vermelho no cabelo (e depois com Koleston e outras marcas de farmácia).

Só que a ideia fez muito sentido. O cara queria já sair pintando na hora – e eu chocada tentando me adaptar à franja, que já era mudança suficiente pro ano inteiro. Pedi um tempo pra pensar: - Depois eu volto pra fazer com calma. E encasquetei com a ideia.

Sou bem branquela, daquelas que tenta se bronzear e fica vermelha, ardendo. Sempre achei lindo ser loira bronzeada, mas era tão viável para mim como ter olho azul. Das minhas idas à praia na infância, ganhei apenas sardas. Muitas. Que por acaso têm tudo a ver com ruivo, olha só.

Mas a franja era mesmo mudança demais. Me prometi que esperaria um ano para fazer qualquer outra coisa drástica e no fim desse período a vontade começou a apertar. Até que dei de cara com uma capa da revista Nova com a Marina Ruy Barbosa. Liguei para marcar (em outro salão estrela) um horário no mesmo dia. O cara era conhecido por cortar o cabelo da Marina (que é natural, dizem) e eu queria alguém que já tinha visto aquela cor ao vivo. Estava certo.

Durante a tarde, postei no Facebook meu plano para logo mais e minha mãe me ligou desesperada tentando me demover da ideia: - Não vai dar certo, tinta estraga o cabelo demais. - Calma, mãe, cabelo cresce. Já decidi. Às 7 e meia da noite, já sentadinha na cadeira do moço, contei do meu plano, eufórica. O cara cortou a onda na hora: Não vou fazer. Fico o dia inteiro tentando fazer nas clientes a mesma cor que você já tem, não vou estragar isso. Fui mandada embora assim. Fail.

Eu precisava de um cabeleireiro que tinha menos a perder. Na primeira ida para Beagá, levantei a ideia enquanto fazia as unhas num salão de bairro. Um moço se animou: eu faço! Saí de lá ruiva e feliz e a cor durou dois dias.

Explico: até então eu não tinha menor ideia de como seria o processo. Não sabia que cor usar, se pegava, se tinha que descolorir os fios antes, nada. Hoje, quando alguém me pede dicas, eu tenho toda uma história pra contar:

Não dá pra encasquetar que você vai ficar ruiva de um dia pro outro, porque não vai. Nas primeiras tentativas, a cor desbota rapidinho. A minha primeira durou dois dias, a segunda durou uns dez… e assim a cor foi pegando. Dá trabalho, mas vale a pena persistir.

Isso, claro, se você estiver certa do que quer. Eu, por exemplo, tinha o tom de pele (e as sardas) que combinavam totalmente com os fios acobreados. Mais, inclusive, do que com a minha cor natural. Se o resultado procurado for natural – do tipo nasci assim – tem que ser branquela. Ainda não descobri outro jeito de fazer funcionar.

Durante as primeiras tentativas, passei por várias tonalidades. Tinha um board no Pinterest cheio de referências e testei algumas enquanto sacava o que ficava melhor. Uma das coisas que fui aprendendo é que o ruivo de verdade, tem muito mais cobre – e até um pouco de loiro – que vermelho. Nesse meio tempo, até parecida com o Ronald McDonalds eu acabei ficando. Foi divertido.

cabelo ruivo - sobrancelhas

Outra coisa que fez total diferença na minha satisfação final foi pintar também as sobrancelhas. Apesar de loira, minha sobrancelha é bem grossa e escura (alô Cara Delevigne!) e, nas primeiras tentativas, eu sempre achava que algo não ornava. Eram as tais.

Tive um medo absurdo no início – comecei clareando bem de leve, para “quebrar” o tom escuro – mas hoje já mando ver no laranjinha, igual ao cabelo. Inclusive, já me pararam para perguntar se eu era ruiva natural e respondi: adivinha! - Ah, é sim porque sua sobrancelha também é. Triunfo. Foi aí que senti que venci na minha empreitada.

Esse processo durou uns seis meses no total. Lógico que teve um período de experimentação e descoberta, que teria sido mais curto se eu tivesse pesquisado mais. Existe toda uma bibliografia sobre o assunto, que eu fui só descobrir quando trabalhei para um site de beleza e tive que tirar as dúvidas das leitoras. São muitas as que querem enruivecer. Eu dou a maior força.

Até hoje não tive coragem de fazer a cor sozinha, mas dizem que é mais fácil do que parece. Acertei uma cor que amo com um cabeleireiro super querido, que virou amigo – justo por isso nunca tentei por conta própria. Hoje faço a raiz umas três vezes e só na quarta eu passo a cor no cabelo todo. Acredito que isso poupe os fios – o que é bem providencial, porque eu não sou a mais disciplinada com hidratações. Talvez eu me arrisque sozinha num retoque de raiz quando viajar por um período maior, por exemplo. Enquanto isso, continuo com o Alex, que eu já apelidei de “guru da ruivice”.

Ele atende no salão do Marcos Proença (não é jabá, viu gente), que eu acabei escolhendo porque descobri que ele já fez a cor da Julia Petit (a musa ruiva do galerê). O Proença já declarou, inclusive, que muita gente pergunta qual é o tom da tinta dela (parece que é a 8.34 da Keune) mas que nunca fica igual, porque o resultado é uma combinação da cor natural dela com a tinta. Acredito que o Alex use a mesma cor em mim (ele certamente faz uma mistura específica, mas acho que a base é essa) porque diz que o meu cabelo natural é parecido com o da Julia.

Nesse vídeo, a própria Julia conta mais sobre a alquimia do ruivo.

E minha dica final é: se você quer, se tá desejando, se joga. Bom senso sempre é importante. De resto, cabelo cresce.

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