Com um pé na rua

Já faz duas semanas. Passou tão rápido né? Mas faz, hoje. E eu vou pra balada. Tá na hora.

Não devia te contar nada disso, mas sair novamente está me gerando um ansiedade confusa, uma mistura de euforia, tristeza e muita, muita dúvida. Ainda bem que eu sou curiosa e tenho que ir lá ver.

É muito estranho admitir que ainda existe um mundo lá fora.

Falando assim até parece que a gente passava os dias vendo séries debaixo do cobertor, né? Não é que lá fora não tenha existido, você sabe. Aliás, esse lá fora, essa cidade, nunca foi tão grande quanto nesse tempo que você me tirou de casa. A gente raramente repetia lugares: se alternava entre a augusta e barra funda, um jantarzinho aqui em pinheiros mesmo, um café no itaim, ou uma ida ao municipal (e garnier, quem diria).

Mas pra quê eu tô falando isso? Você sabe bem.

Você sabe que eu preciso voltar a ver gente. Como, na verdade, eu não sei: você ainda é meu par, meu wing man. Não só meu namorado, mas minha diversão, risada, muita dança e vários porres. Eu te queria lá.

Mas isso, a gente também sabe, é história. É coisa das minhas divagações de 2 da tarde, enquanto eu ouço uma colega falar do cara incrível que eu vou beijar hoje e a outra esbraveja sobre o quão pouco você me merece. Todas tem uma opinião. Só a minha que eu não sei. Prefiro não saber, aliás, do que achar que quero você.

Voltemos à balada: tenho me alternado em medos, maus pressentimentos de algum tipo de caos noturno – beber demais, te ligar, me sentir um lixo, conhecer um cara que vai me fazer pensar em você, voltar pra casa sem rumo, you name it – junto com essa sensação quase pateta de querer desfilar meu salto, e sorrir todos sorrisos que não tenho, e olhar pra todos e ser olhada, muito. Aquele olhar que você me dava (aquele mesmo, enquanto eu cozinhava) e que eu não tenho mais tá fazendo falta. Natural, né? Ainda é incógnita de onde essa força toda virá – diz a colega que a tal da vodca ajuda – mas é certo que não vou poder te pedir uma palavra de coragem. Agora é comigo.

Pra que exatamente eu vou dar um pulo ali na rua eu ainda não sei bem. Não sei se é uma volta, ou um passo de exílio. Não sei o que me dá paz. Não sei o que me conforta. É tanta pergunta que só muita música alta vai conseguir calar. So be it. Tô pronta. Só vou pegar minha bolsa.

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