Cinco compras espertas que potencializaram o meu guarda roupa

Já contei um pouco sobre o meu problema de espaço para guardar minhas roupas e a missão de comprar menos e melhor. Esse desafio me fez treinar um olhar crítico sobre as coisas que eu já tenho que foram ótimas aquisições e que facilitam minha vida na hora de sair feliz com o que eu estou vestindo. É uma forma de se disciplinar para sacar, ainda na loja, o que vai bombar na vida real.

A Ana, do Enjoei, já repetia há tempos um mantra bem importante: para saber se uma peça foi cara ou barata, é preciso na verdade dividir o seu preço pelo número de vezes que você usou (ou vai usar). É bem por isso que o valor da etiqueta pode enganar bastante. Muitas das minhas compras mais inteligentes foram, à princípio, bem caras. A recíproca, então, é o maior clichê que existe: todo mundo tem aquele achado baratinho de liquidação que encalhou no armário.

Não é física quântica, eu sei, mas um lembrete freqüente sobre essas dicas simples ajuda muito a vida da gente. Na hora do saldão maluco da ZARA a gente bem esquece, né ;)

Separei aqui 5 peças clássicas que me salvam de enrascadas e me fazem sentir linda até na segunda feira mais desgraçada. É milagre fashion, é uma maravilha, é o motivo pelo qual a gente gosta tanto dessa brincadeira de se embonecar. Logicamente não são as únicas boas compras que eu fiz na minha vida – quem sabe eu não fale, logo mais, de outras? – mas que estão no hall of fame do closet, estão:

5 compras espertas. Investimentos que valem à pena e baratinhos imperdíveis. Qual o real preço dos curingas do armário?

1. Trench coat classudo

Nenhuma das minhas roupas me deixa mais chique, fina, elegante e sincera que o meu trench coat – e, provavelmente, nenhuma outra rendeu tantos elogios vida afora. Tenho amigas que ficam lindas com os modelos da Zara (ultimamente a modelagem melhorou bastante) mas eu só quietei quando torrei meu patrimônio num modelo classicão da Burberry. É verdade que comprei fora – depois de extensa pesquisa de preço – e custou mais ou menos um terço do que cobram aqui no Brasil. Mesmo assim foi caro, foi dolorido. Mas valeu cada centavo que me abandonou. Juro.

Vale ressaltar que toda essa felicidade na aquisição depende muito do fato de eu morar em São Paulo: faz um friozinho bom, chove uma grande parte do ano e a minha vida aqui pede mais um aspecto “mais arrumado”. Se eu morasse em beagá, por exemplo, essa compra teria sido um capricho. Aqui, uso pra ir pro trabalho, uso pra sair à noite, uso até só com lingerie por baixo pra sensualizar com namorado – mentira, gente, eu nunca fiz isso (mas sempre fantasiei fazer, hohohoho).

Preço na etiqueta: 700 euros (Socorro!)

Preço por uso: 7 euros (considerando um uso a cada 10 dias, mais ou menos. Mole!)

2. Sapatilha bailarina, bem molinha

Existe um sem fim de sapatilhas lindas pipocando pelo mundo e, nem se a gente tentar, dá pra ter todas que nos seduzem pelas lojas desse mundão de meu Deus. Só me libertei um pouco da tara por sapatilhas diferentes (não sou centópeia e não conseguia mais usar todas) quando me apaixonei pelo modelo mais básico, mais curinga e mais chiquetê, aquele bem Repetto, sabe? A mania, na verdade, começou quando fiquei a fim de calça cigarrete e encasquetei com os looks de Audrey Hepburn. Na sequência, fui pras gringas com uma amiga que chegou no setor de sapatos da H&M e catou uma sapatilha basicona de 9 euros de cada cor. Ela já tinha descoberto que era o melhor custo benefício das galáxias.

Não dura uma eternidade, mas é hit absoluto nos meus pés – já usei em viagem de andanças e nunca (nunca!) me machucou. Dá pra comprar de balde, saem várias cores diferentes em todas as coleções mas, pra mim, a pretinha é hour councour – nem me arrisco mais nas outras cores. Nisso meu amor por fast fashion ainda permanece (mas se quiser comprar Repetto ou Chanel, vai de cada um se jogar na riqueza).

Preço na etiqueta: 9 euros

Preço por uso: 17 centavos de euro (Supondo que usei uma vez por semana e cada uma durou um ano.)

3. Bolsita noturna

Até acho que tenho senso crítico, mas não consegui resistir ao sonho da it bag própria: sempre babei numa Flap da Chanel. Fui pesquisando durante um tempo, criando argumentos para torrar uma grana pesada em uma bolsa e acabei, numa viagem, comprando uma pequetita, pretinha, com alça comprida, do couro mais resistente e menos caro (o chamado Caviar).

Nunca mais nem olhei para outra bolsa para usar à noite. A danada da flapzitcha não cansa. Cabe celular, carteira e uma maquiagenzinha, é confortável de carregar e deixa as mãos livres pra dançar, abraçar o gatinho, segurar o drink e ser feliz (clutch pra quê, gente?). Tem também um bolso interno esperto, fechado por zíper, onde dá pra guardar o telefone quando a gente precisa ficar protegida em eventos mais cheios. Combina com tudo, faz qualquer jeans e camiseta ficar rico e ainda dá pra falar que a filha vai herdar. Dependendo do lado usado, ela é bem discreta e não ostenta (o que em certas ocasiões é sensato e providencial). Ah, e mata nosso desejo irracional de Chanel, né.

Preço na etiqueta: 4 mil reais, convertidos do dólar da época. Ai meu bolso!

Preço por uso: 19 reais. (Supondo, muito por baixo, que usei uma vez por semana. Ah, planejo reduzir essa média até o resto da vida. É amor eterno.)

4. O Jeans perfeito

Óbvio? Talvez. Quantas calças jeans você tem? Eu, como não mudo muito de tamanho há bons 10 anos – e morro de dó de dar as calças que eu amava quando era estudante – devo ter umas quinze. Quantas amo loucamente? Não tenho estatísticas do IBGE, mas arrisco falar que 99% das vezes que uso jeans, é sempre a mesma calça. Umazinha. Macia e confortável, escura e cigarrete (acho que quando mostra o ossinho do tornozelo me dá um sensação de ser mais alta!), é versátil na medida: vai com blazer pro trabalho, e com chinelo pro supermercado.

Quando vesti a minha calça preferida na loja já amei de cara (jeans tem que ser amor desde o provador). Usei até acabar e tive a maior dificuldade para achar outra igual recentemente. Custou 13 euros numa marca européia bem popularzona, a Pinkie. (A substituta é da Seven, que eu comprei online da Dafiti numa promoção amiga por duzentos e poucos reais, só porque não tenho viagem planejada. Bem honesto.)

Preço na etiqueta: 13 euros.

Preço por uso: 10 centavos de euro. (Estimando um uso por semana há dois anos e meio.)

5. A Jaqueta de couro

Jaqueta de couro é um troço caro e isso me fez adiar a compra por alguns bons invernos. A não ser que seja comprada fora, uma jaqueta razoável chega fácil nos quatro dígitos. Passar o cartão exige coragem, exige certeza, mas eu adianto: vale! Já estava namorando uma boa jaqueta preta há tempos e só fui me dar por satisfeita quando me apaixonei pelo modelo que uma amiga tinha (era da M. Officer). Tinha um corte bacana, aviamentos bonitos (um zíper ou botão feio mata o aspecto final) e um couro bem macio e gostoso. Peguei emprestada para fazer um test drive, confirmei o amor e fui na loja comprar igual. Custava 1500 reais, não era momento para se arriscar nessa frescura de não ter coisa igual à da amiga (ops!). Compra copiada – depois de gentilmente autorizada por ela – ambas proprietárias felizes.

Preço na etiqueta: 1500 dilmas.

Preço por uso: quase 5 reais, e caindo! (Supondo que usei duas vezes por semana desde 2010 e não espero parar tão cedo. Quem me conhece sabe que essa suposição é bem conservadora.)

Por fim, um minuto de silêncio por aquela blusinha de 20 reais que você usou uma vez só. Mais cara que a minha bolsa Chanel.

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