Breakup Songs

Terminar um namoro é pessimo. Nem nas vezes quando eu não agüentava ver mais o coitado foi fácil terminar. Alguém sempre sai diminuido, revoltado, desiludido. Às vezes os dois.

Agora, se uma coisa é perfeita quando a gente termina, são as músicas de fossa. Musiquinhas bonitinhas de se apaixonar também são uma delícia, mas nada supera a clássica balada de corno.

Quando eu era mais nova, um compositor que eu idolatrava declarou que as letras dele eram todas deprimidas porque quando ele estava feliz ele saía e ia ser feliz. Só parava pra escrever quando estava se sentido a pessoa mais desgraçada do universo.

Isso era uma ótima desculpa pra mim na época. Ficava simulando infernos astrais pra custear ápices criativos. Me vangloriava de ter um blog amargo e birrento, porém “profundo”. Hoje, ainda bem, não defendo mais essa teoria, apesar de ainda fazer sentido. A gente escreve quando alguma coisa explode por dentro e, se só coisas ruins explodem, algo está errado.

De qualquer forma, nada tira a delícia de uma musiquinha de dor de cotovelo. Aproveitando meu atual momento de corna, mergulhei com vontade nos arquivos e montei uma compilação:

CD 1 – Lidando com a perda

1 ) Look what you’ve done – Jet. Classica música “seu bosta, vc estragou tudo”.

Take my photo off the wall / If it just won’t sing for you / ’Cause all that’s left has gone away / And there’s nothing there for you to prove

Oh, look what you’ve done / You’ve made a fool of everyone / Oh well, it seems like such fun / Until you lose what you had won

2 ) Torn – Natalie Inbruglia. Introduzindo as clássicas. Torn sera pra sempre hit das desiludidas.

I thought I saw a man brought to life / He was warm / He came around / And he was dignified / He showed me what it was to cry

 Well you couldn’t be that man I adored / You don’t seem to know / Or seem to care / What your heart is for / I don’t know him anymore

 There’s nothin’ where he used to lie / My conversation has run dry / That’s what’s going on / Nothings right / I’m torn

3 ) Linger – The Cramberries. Outra clássica mór. Como podem ver, os namoros vão e as baladinhas permanencem.

If you, if you could get by, trying not to lie, / Things wouldn’t be so confused and I wouldn’t feel so used, / But you always really knew, I just wanna be with you.

4 ) The power of goodbye – Madonna. Madonna, na produção de Ray of Light, deve ter tido um breakup monstro. O clipe mostra ela e um modelo latinão discutindo a relação. Alguma referência ao personal trainer de outrora?

5 ) Apologize – One republic. Hit recente, piano bonito, produtor tarimbado. Muito boa e parece que vai durar.

6 ) The trouble with love – Kelly Clarkson. A clássica música do desiludido. Tema de filme sobre o assunto.

7 ) Shame – Matchbox 20. Como será provado ao longo da coletânea, o compositor que falei ali em cima é o Rob Thomas. E ele sabe como ninguém escrever uma letrinha de fossa.

Funny how it comes to pass, that all the good slips away / And there’s no one around you can remember being good to / You

Shame, shouldn’t try you, couldn’t step by you /And open up more / Shame, shame, shame

8 ) Shoot the Moon – Norah Jones. Desiludida genérica. Fala muito bem da ressaca de término.

9 ) Love is a Losing Game – Amy Winehouse. Letra métrica e perfeitinha, um poeminha maravilhoso! E a Amy sabe, como ninguém, sofrer por um Blake perdido no mundo.

Layed out by the band / Love is a losing hand / More than I could stand /Love is a losing hand

Self professed, profound / Till the chips were down / Know you’re a gambling man / Love is a losing hand

10 ) Stay or Leave – Dave Matthews. O Dave, pra mim, é o mais versatil. Transita com perfeição entre temas leves e deprimidos, íntimos e universais. Música linda, letra perfeita.

So what to do / With the rest of the days, afternoons / Isn’t it strange, how we change everything we did / Did I do all that I could?

11 ) Kody – Matchbox 20. Mais uma pérola de Rob Thomas. Nenhuma das letras fala de desilusão romântica propriamente dita, e se encaixam e várias situações de “olha como eu me fodi”. Num storyteller o autor conta que essa letra fala sobre uma história confusa de dois gêmeos que nasceram com complicações e, depois de anos, um deles acabou morrendo. Kody seria o que sobrou. Não importa o tema, Kody pra sempre será minha companheira de self pitty.

We kept this hat of broken dreams / And we pulled them out, when we needed them around

 So please hand me the bottle, I think I’m lonely now / And please give me direction, I think the hurt sets in / And I don’t feel nothing. There’s nothing to feel good about here

12 ) Grace is Gone – Dave Matthews. Mais uma generica do Dave. Tenho certa impressão que ele se obriga a escrever sobre tudo, fossas inclusive (com menções merecidas a porres costumeiros).

13) Hang – Matchbox 20. Mais uma de Rob Thomas. Fala de despedidas e se encaixa em várias situações.

Well we always say, it would be good to go away / But if things don’t work out like we think / And there’s nothing there to ease this ache / But if there’s nothing there to make things change / If it’s the same for you, I’ll just hang

14) Vincent – Don McLean. Música triste genérica, na minha opinião a letra mais linda de todos os tempos. É covardia, me faz chorar até no trânsito em dia feliz. Como penúltima música co cd 1, fui propositalmente elevando o nível de depressão das letras até chegar no àpice, aqui. A intenção é chorar até não agüentar mais e finalmente parar com o fim da música 14.

15) (HIDDEN TRACK) Let it be – The Beatles. Outra clássica. O CD parecia acabado no fundo do poço, mas ainda falta o momento de aceitação. Depois de ficar completamente esgotada com Vincent, a coitada se acalma e  finalmente termina o CD 1.

 

 

CD 2 – A recuperação

1 ) Boa Sorte – Vanessa da Mata e Ben Harper. Outro hit recente. Tocou, coincidentemente, quando eu terminei (e não foi na minha cabeça!). Uma música de término mais conformada.

2  ) Tive Razão – Seu Jorge. Sambinha gostoso, letra de corno conformado.

3  ) Favorite game – Cardigans. Em comum com as anteriores, letra de término e ritmo mais animadinho. Vale pelo clipe.

4 ) Tears Dry on their own – Amy Winehouse. Amy novamente, agora um pouco menos desesperada.

 He walks away, / The sun goes down, / He takes the day but I’m grown, / And in your way, in this blue shade / My tears dry on their own.

5 ) Sorry – Madonna. Com a Madonna começam as letras “perdi, e não tô nem aí”, “já foi tarde, “no fim é você que saiu por baixo”. Foi 10 anos depois do Ray of Light e a Madonna se tornou uma pessoa muito mais resolvida.

6 ) You had me – Joss Stone. Idem, seguindo a mesma linha.

7 e 8 ) Gone e Never Again – Kelly Clarkson. Kelly é a rainha das músicas raivosas, ótimas pra gritar bem alto e se convencer que você na verdade odiava o coitado.

Does it hurt to know I’ll never be there? / Bet it sucks, to see my face everywhere / It was you, who chose to end it like you did / I was the last to know

You knew exactly what you would do / And don’t say, you simply lost your way / They may believe you but I never will / Never Again

9 ) Cry for you – September. Hit Jovem pan, letra que está grudada na minha cabeça há um mês.

10 ) Smile – Lily Allen. O carinha quis voltar e a Lilly riu da cara dele. Letrinha raivosa cantada com voz  de menina fina e contida.

11 ) Freedom – George Michael. O clássico dos anos 90 fecha a trilha.

Você já se perguntou, chorou, achou que nunca mais ia superar. Se conformou, sentiu raiva, riu da cara do moleque e no fim, você está livre. Pronta pra começar tudo de novo, tranquila, pois quando der errado (e vai dar) os CDs estarão esperando.

 

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