Diário asiático, ainda dia 7: Luang Prabang, Laos

Era a última noite na cidade fofa e nenhum dedo quebrado ia me impedir de me divertir. GG me emprestou um esparadrapo e uma das meninas que são enfermeiras (tem duas) usou o meu dedo anelar como tala para imobilização. A essa hora meu dedo estava da largura do meu pulso – completamente inchado, completamente roxo até a palma da mão e bastante dolorido. Bem bonito.

Fomos jantar num restaurante novo bem lindo – onde GG fez reserva mas nunca tinha ido – e tomei duas taças de vinho, tiramos foto, rimos, foi bem bacana. De lá, para o Utopia. Fiz uma hora para sair do restaurante e acabei ficando conversando um tempinho com menina grande (esse dia decidi que ia colar nela porque ela sempre estava com GG) e uma australiana violinista bem fofa e, óbvio, elas falavam sobre GG. Menina grande contou que facestalkeou o perfil dele e que ele contou que na última viagem tinha gostado bastante de uma menina, mas que eles não ficaram. A tal sortuda, segundo menina grande, tinha cara de brasileira, era baixinha e morena e de cabelo comprido e magrinha (tudo o que eu não sou, ela disse) e aí ela me solta a pérola do ano: aposto que se alguém nessa viagem tem alguma chance com ele, é você. GENTE! Menina grande virou minha melhor amiga.

Fiz cara de que nem tinha imaginado isso e perguntei: vocês acham ele isso tudo mesmo? Nossa, nem olhei pra ele dessa forma, ele é tão profissional que isso nem passou pela minha cabeça. Eu duvido também que isso aconteceria. Aí as duas começam a falar com ele é perfeito: másculo, mas super gentil e blablablabla. Maybe it’s an australian thing, ela disse. Não, amiga, não é.

Antes mesmo de menina grande me falar tudo o que eu queria ouvir eu já tava achando ela fofa, menos boba que a galera (talvez por ter 28 anos) e fiquei meio com pena porque ela genuinamente estava apaixonada por GG. Conversamos mais um pouco e dá pra ver que ela tá naquela fase que todas as amigas estão casando e parece que ela não tem um namorado há tempos, então rola uma baixa auto estima (been there). Entre as coisas que ela falou estão always the bridesmaid, never the bride e depois de um drink ela soltou tô triste, queria ter a sua cara e seu corpo. Como não amar? Virou amiga, gente. Eu sei que é bobo, mas isso mexe com todo mundo e eu realmente me identifiquei com ela em algumas coisas.

Chegando no Utopia, rolou o maior balde de agua fria da história: GG estava rodeado por 3 meninas gatas que não estão no grupo. Gente, pavor. Gelei e fiquei mal humorada na hora, menina grande quase chorou, foi uma tragédia. Uma delas ficava passando a mão no cabelo dele – biscate! – descaradamente e ele parecia estar curtindo o negócio. Éee galera, ninguém falou que ia ser fácil. Resolvi sair de perto e conversar com um pessoal no bar (ninguém interessante, todo mundo é meio esquisito) e em certo ponto pensei: vou embora. Rídiculo como isso mexeu comigo, né?

Foi nessa hora que a roomate apareceu, bem bebinha e falou: nananinanão, você fica e nós vamos pro boliche. Nem que seja pra chegar lá e voltar. Ok, então. Eu fui. Na ida, uma galera ficou no hotel e foi a cena mais ridícula pq GG saiu do tuktuk e eu pensei pra que que eu to indo pra esse negócio com o dedo quebrado? e pulei do carro. Aí eu percebi que ele tinha saído só para olhar o tornozelo que a gorda no. 2 (que não foi mencionada até então) tinha torcido e o carro tava esperando por ele. Aí eu dei de louca e voltei pro tuktuk. Foi a coisa mais descarada do mundo.

Taí o que acontece: eu me escondo, escondo, escondo e aí eu faço um negócio desses e acabo ficando mais 3 dias escondendo. Ou eu sou psycho, ou eu sou mal educada. Não vai dar pra mim, gente.

Shyness comes across as rudeness.

O boliche era bem chato, a galera estava loucamente bêbada e eu não podia jogar. GG ficou sendo a coisa irresistível e irritante que é e eu fiquei na minha. Na volta pro hotel, menino asiático (que na verdade é neozelandês e sobre quem eu não tinha falado ainda, mas conversei com ele e ele era um dos mais interessantes dos seis do grupo) e americana tapada se pegaram loucamente. O primeiro casal estava formado e eu estava pronta pra ir dormir.

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