Diário asiático, ainda dia 4: Chiang Rai, Tailândia

Logo que chegamos a Chiang Rai o plano era ir visitar uma tribo nativa local. Como eu ainda não tinha certeza que estava 100% e por vontade de arrumar minhas coisas, descansar, escrever – além de achar que o negócio era literalmente um programa de índio – preferi ficar no hotel. Encontrei a galera na seqüencia para irmos jantar em uma feira, armada em volta de uma praça com um palco rolando showzinhos e comidas típicas. Tipo festa junina do retiro do chalé, sabe? Então. Eu tava já totalmente de saco cheio da comida, ainda meio abalada pelo piriri e foi só eu dar uma volta pra ver as opções das barraquinhas que eu saí correndo. A primeira era especializada em insetos fritos, gostoso né? Andei pra cima e pra baixo sozinha em busca de um fast food e a única coisa que achei foi uma pizzaria. Mandei ver, ainda com medinho. Depois voltei pro hotel e tínhamos uma festinha marcada, chamada shit shirt party. A ideia era comprar a blusa mais ridícula possível nos mercados/feiras, só que como eu passei os dias anterioes fugindo pro hotel, acabei indo normal, que chato. A galera super se empenhou, tinha um menino de biquini, uma galera com uns chapéus absurdos e querido gg estava de rosa choque, uma coisa meio tapeçaria local, todo aberto dos lados, mostrando umas tatuagens que até então não tinham aparecido. Nem vou comentar a comoção. Esse dia a histeria alheia em torno de gg atingiu picos. Fomos de tuk tuk pra festa, eu me sentindo meio sobrando por causa da roupa e pq nao tinha interagido com a galera nem nas tribos nem na aula de culinaria e claramente todo mundo estava ainda mais próximo. Chegamos numa baladinha tosca e absolutamente vazia mas a música estava boa e a galera já animou de cara. Minha ideia esse dia era criar coragem pra bater um papo bacana com gg mas logo no início ele foi enquadrado por uma australiana que estava bem invisível até então: vamos chamá-la de menina grande. A menina grande é loira e grande e veste umas coisas meio de mãe americana – eu acho turnoff. GG e MG ficaram num papo legal (era pra ser meu, damn!) e enquanto isso uma boy band asiática subiu no palco pra se apresentar, cortando totalmente a animação e só cantando musicas lentas em tailandês e desafinando, uma coisa bem linda de se ver. Eu tava zero animada, zero enturmada, mas não queria ir embora por nada, só pioraria as coisas. Em certo ponto percebi que GG saiu pra fumar com outra australiana – existem duas australianas bem gordinhas na viagem, tipo obesa MESMO, e essa é uma delas, a mesma que me segurou num papo no primeiro dia. GG e australiana gorda no.1 estavam ficando bem amigos (e eu vou ser maldosa aqui, eu acho que é porque ela não o atrai em nada e ele consegue relaxar, pelo menos) e como eu já tinha passado um tempo sozinha com ela, criei coragem pra BICAR descaradamente a conversa deles e assim fiz.

Um parênteses sobre as minhas percepções, maldosas ou não, sobre a interação do GG e as meninas: tenho criado teorias que não passam de hipóteses, e mostram muito sobre a minha impressão de cada um. Obviamente, há uma grande chance de eu estar lendo as pessoas errado e isso pode ficar mais claro no correr dos dias e dos acontecimentos. Isso também mostra a minha percepção de mim mesma, tenho pensado bastante sobre isso e devo entrar mais profundamente nesse assunto.

Então, GG e australiana gorda um estavam num papo animadíssimo, cheio de piadas, e eu só sentei la (“Im gonna join you guys, I need some air”). Daí a pouco a gordita querida, que tava numa dieta forte de palhacitos fazia uns 2 dias, ME MANDA, sarcasticamente, contar “histórias loucas do Brasil”. Amigos, tô com uma canseirinha. Quando eu não quero responder algo ou alguém me deixa desconfortavel eu normalmente jogo a pergunta de volta, e assim fiz com o GG. “GG, que tipo de historias vc espera ouvir do Brasil?”. Nosso querido, que é ultra viajado, já tinha contado que a sua próxima viagem ia ser para a américa do sul (taí uma coisa que me irrita, quando generaliza, mas tudo bem pq eu faço o mesmo com alguns lugares) e começou a me perguntas coisas mais interessantes do Brasil. (Vem morar comigo, seu lindo!!! Te dou a passagem, mas só de ida!)

Até agora tudo o que falei do guia gato foi em termos estéticos, mas ao longo dos dias fui pescando uma conversa aqui e outra ali e percebendo o quão bacana ele é. Defeito? Até agora um: fuma. Uma americana boazinha (mas meio tapadinha) se juntou à gente e eu acabei falando mais com ela – a australiana bombando nas piadinhas com o GG – e GG eventualmente voltou pra dentro da balada. Oh well, tá foda viu. Agora com o blog então, gg é meu amigo no feice e caso tenha alguma curiosidade pode facilmente clicar no link e pegar tudo no primeiro parágrafo. Me dá um alívio poder escrevem em português tranquilamente na frente de qualquer um, facilita bastante o processo (longo!) de contar os detalhes, mas nada que uma curiosidade e um google translator não resolvam. Por isso mesmo, estou ainda mais paranoica achando que ele sabe que eu estou babando nele (fora o fato de eu estar visivelmente de queixo caído, boba). Nada que impeça que eu conte tudo, que é bem divertido.

Desculpa mãe, desculpa Brasil! Thanks for sharing, Lorena.

Então gg estava do volta lá dentro falando com menina grande e australiana gorda no.1, eu estava conversando com a americana boazinha e tapada e uma galera decidiu ir embora. Me juntei, já tinha dado pra mim. Entre a galera que estava no meu tuk tuk estavam a menina grande, e outras 5 meninas (incluindo a roomate) e um cara da NZ. No caminho pro hotel, menina grande contava a todos como queria CASAR com GG, que estava obcecada, que ele era incrível e tudo o que vocês já leram por aqui. Isso foi o estopim de uma histeria coletiva patética no carro, e eu fazendo cara de paisagem, até pra colega de quarto. (Cejura, gata? Nem notei!)

Virou guerra. E ficar falando pra todo mundo claramente é uma estratégia furada. Ainda bem que tenho vocês pra desabafar porque por aqui to fazendo que nem percebi.

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