Diário asiático, dia 7: Luang Prabang, Laos

Esse foi basicamente o dia mais bacana da viagem até então. Luang Prabang é um amor – e pensar que eu nem sabia que essa cidade existia! Acordamos antes das 6 para uma tarefa super especial: alimentar os monges.

Oi??? Mas monge é tipo bicho que tem que alimentar?

Não, gente. A população da cidade se considera responsável pelos monges e todos os dias dividem sua comida com eles. Ao amanhecer, todo mundo vai pra rua com arroz, lanche, frutas e esperam os monges passarem como numa procissão, carregando uma espécie de tigela de prata com alça, como uma bolsa (uma quentinha with lasers) e vão distribuindo a comida. É bem bonito. Depois que os mais de 200 monges passam e voltam para o templo para compartilhar tudo o que coletaram, o dia oficialmente começa em Luang Prabang. (Se você não tem comida, por exemplo, você pode ir no templo fazer as refeições com eles.) Isso acontece 365 vezes por ano.

De lá, partimos para o programa mais esperado dessa etapa da viagem: Elefantes! Fomos de van para uma fazenda onde se formam os mahouts, os famosos treinadores de elefantes. Pra quem não sabe, esses caras passam a vida cuidando de um animal específico e os dois crescem juntos e passam a vida juntos (um elefante vive uns 100 anos). Chegando lá, tinha elefante solto pra todo lado. Apenas surreal. Além de elefante, obviamente, tinha cocô pra todo lado. Subimos numa plataforma da altura de um andar, conhecemos nosso mahout da vez (um querido, bem novinho) e simbora dar um rolé de elefante. Gente, que delícia. O mahout nos ensinou as ordens básicas (em Lao, é claro) e logo mandou a gente pular da cadeirinha direto pro cucuruto da nossa querida elefoa (que era uma menina de 32 anos!). E aí foi aquele festival de uns 10 elefantes soltos pelo mato, “montados” por aquele bando de gringos loucos. Os mahouts riam e tiravam foto. Fofura só.

E isso ainda era antes do almoço!

Almoçamos num café delicioso já de volta à cidade, andamos um pouco pela feira local (que era cheia de coisa bacana e eu super me arrependo de não ter comprado nada por achar que ia ter tempo de voltar) e corremos pro hotel para botar biquini e ir pra uma cachoeira. GG estava na nossa van e nem precisa falar que eu entrei na nóia de ficar babando e tentando falar com ele (sempre sem sucesso, porque sempre tem alguém mais espertinho falando antes).

A cachoeira, na verdade, não era nada superior à nossa Serra do Cipó e afins e eu fiquei bem menos entusiasmada que a galera. GG pegou a câmera da roomate, que tem um zoom poderoso, pra tirar umas fotos bacanas nossas e usou o zoom para espiar o que a gente tava falando dele. Ops!

Na hora de entrar na água, tensão: GG ia nadar? E o pavor de ficar de bíquini?

Os arredores da cachoeira estavam super escorregadios e tinha bastante pedrinha, o suficiente para me fazer uma total pateta desequilibrada de biquíni. Pra piorar, na hora que resolvi sair da água, GG resolveu entrar. Pra quê… a galera estava pulando na água pendurado numa corda, que saía de uma árvore alta e escorregadia e insistiu pra eu ir junto. Beleza né, tudo pra não ter que passar cambaleando pelas pedras rumo a GG (além de quê eu tinha a desculpa que saí da água só pra pular, e não que mudei de idéia porque queria ficar perto dele). Pois bem, abracei a pior ideia da minha vida e subi na árvore me achando gata, magra (obrigada ex pela depressão que me custou 8 quilos <3) e brasileira/aventureira/desencanada/Gabriela, peguei a corda e fui. Não precisa nem dizer que deu merda.

Quem me conhece sabe que eu não sou boa com atividades físicas, aventuras, coordenação motora grossa. Era uma criança gordinha que levava tombos o tempo todo e gostava de brincar de Barbie ou quebra-cabeças, sentada. Pois bem, isso quer dizer que eu nunca nem cheguei perto de um rope swing, nunca paguei de Tarzan, e claramente não sabia a mecânica da coisa. Em vez de me agarra na corda, eu simplesmente segurei e pulei e, lógico, minha mão não aguentou o peso, o impacto, nada disso. Enquanto eu caía, GG assistindo de camarote, era claro que foi uma cena absolutamente patética. Mergulhei na água gelada morrendo de vergonha e alívio por ter sobrevivido, nadei um pouco e senti uma coisa estranha na minha mão, como se uma unha tivesse quebrado. Olhei minhas mãos e, socorro, a última falange do meu dedo médio direito estava virada em 45 graus.

Vocês lembram daquele filme com a Meryl Streep, Bruce Willis e Goldie Hawn, bem velho, chamado “A Morte lhe cai bem”? Então, foi tipo a cena que a Goldie Hawn (ou seira a Meryl Streep?) cai da escada. Meu dedo não doía NADA e eu simplesmente botei ele no lugar. Quando eu fechava a mão dava pra ver que ele ainda estava torto e eu só conseguia rir de choque e de vergonha de ter quebrado um dedo pra pagar de gata pra GG. A que ponto chegamos, meus amigos.

Só porque passar vergonha nunca é bastante, na saída da água, ainda em choque por causa do dedo, eu escorreguei na lama e caí feito uma pata de biquíni – gostaria de agradecer novamente ao ex pela minha magreza, que foi a única dignidade que sobrou. GG veio ver o meu dedo e eu só queria saber de sair correndo. Fomos conversando na van de volta pro hotel, ele me elogiando porque eu tava super no espírito esportivo (veja bem, com o dedo possivelmente quebrado – mas sem dor – e toda suja de lama, é o que me restava) e fomos falando de pesadelos e sonhos pelo caminho. Eu e roomie contamos pra ele do pesadelo que tivemos simultaneamente e todo mundo entrou no papo começou a contar dos pesadelos mais bizarros que já tiveram.

De repent, GG solta a pérola: You guys are crazy, I never have these kind of creepy nightmares. Usually I just dream these normal stuff, like having sex with hot girls.

SILÊNCIO NA VAN.

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  1. Naty Faria |

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