Diário asiático, dia 2: Bangkok, Tailândia

Começou a correria: acordar cedo, tomar banho, café da manhã as 7 e meia, malas no lobby e vamo que vamo. Primeira parada: royal palace, um complexo enorme que inclui o templo do buda de esmeralda. Eu já tinha visto fotos maravilhosas desse lugar, postadas por um dos meus colegas de pós e por isso minhas expectativas fotográficas estavam nas alturas – era o primeiro dia oficial de turistagem! Aí surgiu a dificuldade numero 2 da viagem: fotos minhas. Pra começar, leva um tempo bem maior para pedir pra alguém tirar uma foto, entregar a câmera, explicar rapidamente que não, a imagem não aparece na tela até que a foto seja batida e finalmente bater a foto. Foto essa que em 99% dos casos fica um lixo. Gente, colé desse povo que não entende nada de foto? Breno, Yo e Papis, I miss you. Tudo bem que o templo estava lotado, mas minhas fotos viraram um festival de papagaio de pirata, um festival de chão em excesso + templo cortado. Fora que quando a galera pedia para eu tirar fotos deles – quem quer que fosse – eles andavam láaaaa para o fundo, tipo perto do cenário, até que virassem formiguinhas na foto. Seriously, people. Foi aí que o novo estilo de fotografia da viagem começou a surgir: nenhuma foto minha, zilhões de fotos dos detalhes. Estou meio Yo e Breno, já deu pra perceber que a galera nota, acha graça, se incomoda até. A minha roomate parece um tanto entusiasta da fotografia também, então eu até pensei em já começar a fazer permuta de serviço, mas ainda estava meio tímida com isso. Ensaiei oferecer meia dúzia de fotos, para ver se rolava uma recíproca e nada. Veremos.

No tal templo do Buda eu percebi que estava realmente tocada pela coisa. Comecei a observar os locais, o jeito que eles rezavam, as oferendas e achei tudo muito lindo. Eu não sou nem um pouco religiosa e pra mim foi uma surpresa enorme me emocionar com aquilo tudo, que eu nem bem entedia. Comecei a perceber que a forma com que as pessoas lidam com a religião é mais introspectiva, é uma coisa de autoconhecimento e autoevolução e isso me atrai bastante. Estou curtindo esse negócio.

Depois, tivemos uma horinha na cidade e eu fui almoçar com umas meninas com quem não tinha interagido tanto até então – tudo australiana, vai ficar confuso de explicar. Pedi uma carne x e, socorro, ela veio com abacaxi! Serio gente, não tá fácil pra mim. Eu tava tão faminta que separei o abacaxi (quem me conhece sabe que já é uma coisa super advanced) e mandei ver. De lá, elas insistiram pra ir num tipo de massagem que eu nunca tinha ouvido falar: você enfia o pé num aquário cheeeeio de peixinhos, e eles ficam mordiscando o pé. Aflição total, tentei entrar na brincadeira mas não aguentei. Dei uma fugida delas para tentar ir num mcdonalds, mas acabei achando besteira e desisti. Me arrependo, já é dia 6 e eu tô com desejo de Mc até hoje.

Ah, esqueci de mencionar. Esse dia era 31 de dezembro e a gente ficou sabendo na véspera que nossa noite de reveillon ia ser, tchantchantchantchan… num trem! Corta clima total. Fomos do templo para o trem e no caminho conseguimos comprar uma ou outra bebida, para ver se dava para animar em algum ponto. Era difícil: a viagem começava as 6 da tarde e eu, quando entro em ônibus, trem, avião, apago. Não deu outra, galera se instalou pra bater papo e eu capotei. Tipo mendiga, em cima das malas, aquela coisa linda. No trem até tinha um vagão restaurante que se transformaria no bar – eu não tava esperando muito, anyways – e o guia gato (meu deus, Brasil, chegaremos lá) contou que o “bar” fechava às 23hs, mas que ele faria de tudo para conseguir segurar até meia noite pelo menos. Eu estava um lixo, tinha andado no sol o dia todo, de camiseta e saia longa de malha – e preta, ainda por cima. Mais cedo eu tinha conseguido comprar uma regatinha branca de crochê bem fofa nos camelôs de bagkok e eu achei que era uma saída pro reveillon, me recusava a passar de preto! Eu já tinha mandado ver numa calcinha amarela que estava guardada desde o meu aniversário – foi presente (junto com outras coisas) da Lu, Nat, Bia e Rods – e improvisei um provador no trem mesmo. Tinha que ficar no mínimo apresentável. Joguei a regatinha com uma saia longa meio transparente florida da Farm, botei um brincão e era isso. Game.

Cheguei no tal vagão com as minhas garrafinhas e pasmem, era uma balada! Estava lotado, com musica alta, gente bêbada pulando (o pessoal estava bebendo desde a minha soneca) e eu não pensei duas vezes: bebi rápido pra entrar no ritmo e me garanti rapidinho. Estava animada, era reveillon, era diferente e tinha o guia gato. Meu deus, o guia gato. Vamos abrir um parênteses muito especial pra ele:

Até agora vocês sabem que ele é gato e têm 27 anos. Ok, ele é australiano, ponto pra ele! Me lembra muito o Paulo, pelo porte, pelo nariz respeitável que sai reto da testa, o olho meio daqueles que tem o cílios de baixo super preto e a boca pequenininha. O olho é de um azul turquesa assustador, uma coisa que não dá pra encarar diretamente, de tão luminosa – é tipo uma evolução estética do Paulo, isso é possível minha gente! Queixo fininho, quase esquisitinho (adoro) e bochechas altas. Moreno. Alto. Ombro largo. All that jazz. Não é malhado, mais um ponto! Pra finalizar, tem uma voz incrível (voz é tudo, né). Estou ficando obcecada e justamente por isso fujo dele absurdamente. Me sinto uma pateta. Engasgo, falo besteira, tampo a cara, pareço uma criança. É meu muso da viagem, e só vai piorar.

De volta ao reveillon: rolou foto bêbada, rolou contagem regressiva, rolou um agregado bizarro que era tipo a versão piorada do Russel Brand e que a galera nomeou “gay jesus” porque ele também se rendeu explicitamente aos encantos de guia gato. Voltei pro vagão pra dormir tipo à uma da manhã, quando o bar fechou. Missão cumprida de certa forma. No dia seguinte, fui uma das últimas a acordar – já vi que sou a dorminhoca da viagem – e logo chegamos a Chiang Mai.

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  1. constança |

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