Vontades de um quarta-feira…
listras mariniére: vício de uma vida.
Ja faz algum tempo que coleciono imagens antigas, das décadas de 60 e 70 principalmente, e desde então me tornei completamente obcecada por franjas. Nos filmes, nas revistas, na rua, não pode mais aparecer uma que eu já fico encantada. Tive franja em duas épocas distintas da vida (além da infância é claro) e vivia uma caso de amor e ódio que durou até que ela crescesse (manter, nem pensar!).
No começo, na verdade, tudo era culpa da Jane Birkin:
Essa pegada late-sixties (a última foto é de 1969) me cativou.
Junto, a Jean Shrimpton agravou ainda mais a situação:
Musa de David Baley – fotógrafo que inspirou o personagem principal do filme de Michelangelo Antonioni, Blow Up – ela personifica, pra mim, a beleza sixties da qual eu tô super a fim: côncavo marcado, delineador, muito rímel – na época não chamava máscara, nome que eu odeio - volume no cabelo e, claro, a franja.
Foi aí que comecei a perceber: Audrey Hepburn, Bardot, Marianne Faithful… todas as que se tornaram ícone de uma época tinham a bendita.
Mesmo que mais curtinha e comportada, bem cinquentinha
como na carcterização de Audrey pra Sabrina, que eu ainda acho a maior beleza clássica que existe.
Ou mais longa e sexy, eternizada pela Brigitte Bardot:
E até para ganhar música de Mick Jagger, Marianne Faithful botou a sua pra jogo.
As musas de Truffaut também tinham.
Como Jeanne Moreau e Françoise Dorleac (aqui na foto, com o xará):
As referências da franja de hoje são muitas também. Até Olívia Palerma Palermo tem a sua
e Betty, a blogueira gringa mais fofa de todos os tempos também desfila uma.
Mas as minhas musas franjísticas são outras:
Zooey Deschanel é hors concour. Me conta esse rosto de boneca? Até ignoro que não tenho esse olho, quero a franja na hora!
Rory Gilmore! Sou A freak de Gilmore Girls, tenho todas as temporadas, fico revendo em looping e quando caio na sexta temporada já começo a ensaiar uma franja. Tudo bem que ela é outra que tem cara de boneca e olho maravilhoso (e eu não!). A gente ignora essa parte.
Minha menção honrosa na categoria fanja inesquecível vai para:
Anne Hathaway Andy Sachs. (Ok que é uma referência velha mas quem liga? Marcou uma geração.)
Entre as top modeletes franjadas temos só Freja Beja (coisa pouca!)
e, rest my case, KATE MOSS
Pra fechar o post interminável com as minhas referências de franja de toda uma vida, a minha preferida: Florence Welch MUSA.
Resisti o quanto pude, me forçando a lembrar das minhas experiências prévias mas finalmente sucumbi à pressão da mídia.
(Pausa para pequena anedota:
Estava selecionando as imagens desse post – que inicialmente era só uma compilação de referências sem objetivos práticos – quando decidi que precisava cortar a franja no mesmo dia. Liguei para uns 4 salões diferentes para ver quem tinha horário – difícil, era sexta! – e acabei só conseguindo com o Wanderley – o próprio! – do Studio W.
Segui com meu ipad e as fotos e pedi pra mandar ver.
Tinha passado o dia trabalhando com o cabelo – que eu estava odiando! – preso e ele não pensou duas vezes: soltou e tascou a tesoura nele, marcado e seco mesmo. Fiquei gata! a cara do Zacarias.
O Salão, lotado, me olhava em pânico. Do meu lado, Maria a milionária piriguete do BBB, até gagejou no telefone quando viu. Ela era a próxima na mão do cara. As pessoas passavam pra ver a própria e levavam a visão do Zacarias aqui de brinde.
Investi numa missão de ignorar a própria imagem no espelho a todo custo e só me chamaram para lavar o cabelo umas 30 horas uma meia hora depois.
Foi aí que me apaixonei perdidamente por mais uma franja: a minha! Tudo bem, dá trabalho, pinica, acordo de moicano todo dia e aparento ter 14 anos. Não sei se vai durar, mas tô curtindo.)
Bang!
Enquanto a gente só ouve falar de Stella e C&A e Stella, resolvi lembrar um pouco de Linda McCartney, sua mãe. Mais importante do que entrar nessa histeria coletiva é dar um passo pra trás e entender: quais são as referências de Stella? De onde vem o seu trabalho?
Linda Mc Cartney nunca foi exatamente um ícone de estilo. Fotógrafa renomada (mesmo antes de conhecer e se casar com Paul McCartney), carregava um ar I’m too cool for fashion.
Cool. Linda parecia muito cool até para os Beatles. Vivia de fotografar gente como Janes Joplin, Mick Jagger e Jim Morrison (e, muitas vezes, ser fotografada por eles) - esse era seu dia-a-dia.
I’m with the band.
É uma época que coincide com a infância de Stella, nascida em 1971: a carreira do pai depois Beatles, a vida jetsetter contrastada com a infância no interior – que Linda e Paul tiveram a preocupação de dar para os quatro filhos.
Em várias ocasiões, tanto Stella quanto Mary (que também é fotógrafa) mencionam a influência que Linda tem no seus respectivos trabalhos. O ativismo ambiental e a bandeira vegan que Stella carrega até no que diz respeito aos materiais usado em suas coleções veio exatamente da mãe (e foi adotada pela família toda).
Linda traduz bem o estilo nonchalant do fim dos 60 e anos 70 vamos esquecer a fase mullet que veio depois, não por acaso tão celebrado hoje (alguém aí pensou em Annie Hall?). Sem adornos e sempre brincando com o masculino-feminino. Essas, talvez não por acaso, são as linhas gerais do trabalho da filha famosa: simplicidade com sofisticação e o boyish-contemporâneo-de-mulher-chique.
Se temos Stella hoje, agradecemos a Linda.
(Ah, a coleção da Stella pra C&A chega hoje nas lojas selecionadas)
I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight
Bang bang
He shot me down
bang bang
I hit the ground ,
bang bang
That awful sound
bang bang
My baby shot me down
(***)
Eu sabia que ia te encontrar hoje. Eu sempre sei quando vou te encontrar. Hoje, de todos os dias, eu não desci para a pizzaria de chinelo e moletom, como a gente sempre fazia. Coloquei maquiagem e cílios postiços pra jantar com o meu irmão. Lógico que eu já sabia.
Mesmo assim, é sempre aquele gelo na espinha em te ver. Sabe, até hoje eu não tenho mesmo certeza que você existe. Passava noites revirando com síndrome de John Nash, pensando que eu poderia ter te inventado – até aquele dia que você bateu o maior papo em alemão com o taxista (em uma das nossas viagens glamurosas que você sempre planejava sozinho) e eu me derretia feito criança, como sempre aconteceu desde o dia que você resolveu discutir cinema russo comigo e me fazer escutar Chet Baker. Você lembra daquela cena do Kill Bill 2, quando o Bill está contando histórias e tocando flauta para a B. Kiddo? Claro que você lembra! Você sabe tudo dessas coisas bacanas e você faz que acha tão bonitinho que eu sei também, de um jeito tão paternal que diz: peraí, que eu vou te ensinar o resto.
E desse mesmo jeito, nessa mesma eloquência, você explicava uma coisa qualquer na pizzaria quando eu te vi. Existe uma mágica em te assistir falar com outras pessoas, com as mesmas mãos que mexem e te atropelam, com os mesmos olhos que mudam de cor e a risada sarcástica de quem tem toda a atenção e os olhares do mundo. Eu sei que a gente não se cumprimenta, mas eu sorri pra você montes e bati meus cílios postiços em orgulho de ter ver fazer aquilo tudo, até hoje, sozinho. Still, you blow my mind.
Eu sabia que eu ia te encontrar. Foi só por isso que eu levei Simone de Beauvoir para ler na pizzaria, afinal, meu irmão sempre se atrasa e você sabe que isso me tira do sério. Mas eu levei meu livro e eu fiquei, linda, calma, de cílios postiços, lendo Simone só pra você ver. I bet you’d be so proud of me too.
Eu não sei o que é que nessa distância de você, mesmo que você esteja logo ali na minha frente, me deixa tão feliz. Lembra que você me fazia sentir a mais comum das mulheres e que isso me matava? Lembra do tanto que chorei e tentei entender e desabafei pela minha tristeza em ter o homem da minha vida do meu lado e não conseguir, por nada, ser a mulher da vida dele? Hoje, em brincar desse faz de conta que a gente nunca se conheceu, eu me divirto. Eu sorrio, eu bato os cílios, eu leio só pra você. Eu gargalho alto, eu conto as melhores histórias, eu falo coisas que eu sei que você vai discordar só pra você não se aguentar e dar uma opinião. Eu te vejo olhando de rabo de olho, esquecendo suas frases da sua própria conversa eloquente, e isso é o melhor prêmio do mundo, muito melhor do que estar ao seu lado.
Você está com a sua namorada e eu estou com meu irmão num sábado à noite. É muito mais divertido do que todas as outras que jantamos juntos, pra falar à verdade.
Talvez porque você me pareça tão velho, olhando daqui. Sua namorada é linda (parabéns!) mas ela tem o que, trinta e cinco anos? Seus amigos estão com um bebê à mesa. Man, you are old. Eu posso até me corrigir e perceber que você só nasceu em 1981, mas você me parece muito, muito velho.
E como uma criança eu ainda fico ali na mesa vizinha te admirando. Igual quando você me falou sobre cinema russo, enquanto ouvia Chet Baker. Só que agora é muito melhor. O seu sábado á noite, com a sua namorada, é na pizzaria vizinha à minha casa, com seus casais de amigos e seus bebês. Eu tenho certeza que vocês não passam finais de semanas bêbados entre filmes e músicas e guitar hero e jantares às três da manhã e cafés da manhã às três da tarde. Só sobrou a sua pizza de mussarela de sempre, que a gente comia na cama, no chão ou no sofá. E você aí se contorcendo na cadeira pra me ignorar. Poor old man.
Mesmo assim, pra sempre, quando você passar, vou bater os cílios. Só que feliz.
Mandacaru quando flora na seca / É o sinal que a chuva chega no sertão / Toda menina que enjôa da boneca / É sinal que o amor já chegou no coração
Meia comprida / Não quer mais sapato baixo / Vestido bem cintado / Não quer mais vestir chitão
Ela só quer / Só pensa em namorar / Ela só quer / Só pensa em namorar
(Luiz Gonzaga – Xote das Meninas)
Quando criei o nome do blog, não sabia exatamente qual seria a pauta, mas sabia que seria papo de mulherzinha, das meninas, Des filles. Moda, claro, sempre; maquiagem talvez, não sou especialista (mando muito bem, modéstia a parte, minhas amigas que o digam, mas o melhor blog do brasil sil sil é de maquiagem, pra quê entrar nessa?) e qualquer outra coisa que me desse vontade – dessas de tirar o sono – de escrever. Eu já sabia que ia chegar até esse ponto, afinal, eu já tive dois blogs e os dois cairam pra esse lado. Só não imaginei que seria tão cedo.
Venho, então, num lapso de coragem abrir uma tag que, quem me conhece sabe que é completamente a minha cara, o cúmulo da exposição. Segurei o quanto pude, me perguntando, cheia de dúvidas há vários dias. Abri até enquete no twitter (meu mais novo esporte do meio dia, tão divertido!) mas hoje não deu mais pra segurar. Me peguei num almoço de negócios com aquela que é o exemplo de papo de mulherzinha muito bem escrito – tanto, que hoje é feito pros meninos – Tati Bernardi. A gente pode dar quote dela, falar que ela é demais, mas a gente também pode parar e falar: peraí, ela escreve isso que eu tenho tanta vontade e tanto medo de escrever. E escreve bem, a danada! Talvez eu também possa.
Pra ser completamente sincera, a maior parte do tempo eu não quero só falar de roupa (ufa!!!!). O que eu gosto mesmo é de falar de paixão. Como minha paixão passa por moda dia sim e outro também, a gente direciona. É melhor aceito isso das meninas de gostarem de se enfeitar. É muito mais fácil ver uma menina bonitinha mostrando uma sapato do que uma mulher louca abrindo o coração.
Como estou no comecinho, ainda tenho muito medo, lá no escopo lado A dos DesFilles, de cair no mais do mesmo (e sei que caio, vou cair, me dou o direito de continuar tentando) e ficar em papinho pequeno “gente, tem que combinar isso com isso e pode isso não pode aquilo, essa marca é deusa tudo e blablabla”. Esse risco é muuuito maior ao falar de coisas que tiram nosso chão, ainda mais quando essas coisas são pessoas. Lugar comum, é tudo tão banal, todo mundo vive essas coisas, não é mesmo? Pois é. Mas quando eu vou lá e pego um filme de 1941, é isso que o cara quer mostrar.
Completamente universal, completamente comum e completamente fascinante. Eu quero ficar aqui varando a noite, linhas e linhas de insonia. E dar risada, daqui a anos. Ou sentir tudo igual daqui a anos. Banalidade por banalidade, eu abro a tag que tenho vontade, pra me fazer escrever. Considere esse o meu Esmalte de semana. Então, decretado e justificado. Está feito. É uma tag que não vai ter hora nem obrigação de aparecer.
E viva a independência editorial!
Le plus beau vêtement qui puisse habiller une femme, ce sont les bras de l’ homme qu’elle aime.
(A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama)
Não fui eu que falei isso. Foi o Yves Saint Laurent. RESPECT.
Gente, é um choque dizer isso, mas eu não sou blogueira profissional. Não ganho nem um real com o blog (nem tenho essa entre as 10 principais metas desse espaço, mas disso eu falo depois) e escrevo por amor às modas e às letras (ás vezes mais à um que ao outro, varia).
Fui obrigada a colocar o Des Filles de lado - logo agora que ele foi ao ar! – desde o carnaval e fui atropelada por outros acontecimentos do trabalho de verdade, aí já viu. Enquanto isso, muitas outras coisas tomaram meus olhos e minha vontade de escrever (eles seguem o coração, né) – o que é até bom, a gente revê tudo: o olhar, as opiniões, as idéias.
Enquanto não dá tempo de voltar com tudo, minhas desculpas de neo-blogueira e um sonzinho que fala muito desse clima de férias e verão que chegou dentro de mim bem junto com o trabalho e o frio em São Paulo.
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