Ah se eu fosse marinheiro…

Vontades de um quarta-feira…

MNM Fonds Carte Postale - vers 1900

Coco Chanel

Pablo Picasso

Jean Paul Gaultier par Julien Hekiman - France Magazine

Jules et Jim - François Truffaut

listras mariniére: vício de uma vida.

The big bang theory


Ja faz algum tempo que coleciono imagens antigas, das décadas de 60 e 70 principalmente, e desde então me tornei completamente obcecada por franjas. Nos filmes, nas revistas, na rua, não pode mais aparecer uma que eu já fico encantada. Tive franja em duas épocas distintas da vida (além da infância é claro) e vivia uma caso de amor e ódio que durou até que ela crescesse (manter, nem pensar!).

No começo, na verdade, tudo era culpa da Jane Birkin:

Essa pegada late-sixties (a última foto é de 1969) me cativou.

Junto, a Jean Shrimpton agravou ainda mais a situação:

 

David Bailey - 1965

Musa de David Baley – fotógrafo que inspirou o personagem principal do filme de Michelangelo Antonioni, Blow Up – ela personifica, pra mim, a beleza sixties da qual eu tô super a fim: côncavo marcado, delineador, muito rímel – na época não chamava máscara, nome que eu odeio - volume no cabelo e, claro, a franja.

Foi aí que comecei a perceber: Audrey Hepburn, Bardot, Marianne Faithful… todas as que se tornaram ícone de uma época tinham a bendita.

Mesmo que mais curtinha e comportada,  bem cinquentinha

como na carcterização de Audrey pra Sabrina, que eu ainda acho a maior beleza clássica que existe.

Ou mais longa e sexy, eternizada pela Brigitte Bardot:

E até para ganhar música de Mick Jagger, Marianne Faithful botou a sua pra jogo.

As musas de Truffaut também tinham.

Como Jeanne Moreau e Françoise Dorleac (aqui na foto, com o xará):

As referências da franja de hoje são muitas também. Até Olívia Palerma Palermo tem a sua

e Betty, a blogueira gringa mais fofa de todos os tempos também desfila uma.

Mas as minhas musas franjísticas são outras:

Zooey Deschanel é hors concour. Me conta esse rosto de boneca? Até ignoro que não tenho esse olho, quero a franja na hora!

Rory Gilmore! Sou A freak de Gilmore Girls, tenho todas as temporadas, fico revendo em looping e quando caio na sexta temporada já começo a ensaiar uma franja. Tudo bem que ela é outra que tem cara de boneca e olho maravilhoso (e eu não!). A gente ignora essa parte.

Minha menção honrosa na categoria fanja inesquecível vai para:

Anne Hathaway Andy Sachs. (Ok que é uma referência velha mas quem liga? Marcou uma geração.)

Entre as top modeletes franjadas temos só Freja Beja (coisa pouca!)

Abbey Lee Kershaw

e, rest my case, KATE MOSS

Pra fechar o post interminável com as minhas referências de franja de toda uma vida, a minha preferida: Florence Welch MUSA.

Resisti o quanto pude, me forçando a lembrar das minhas experiências prévias mas finalmente sucumbi à pressão da mídia.

(Pausa para pequena anedota:

Estava selecionando as imagens desse post – que inicialmente era só uma compilação de referências sem objetivos práticos – quando decidi que precisava cortar a franja no mesmo dia. Liguei para uns 4 salões diferentes para ver quem tinha horário – difícil, era sexta! – e acabei só conseguindo com o Wanderley – o próprio! – do Studio W.

Segui com meu ipad e as fotos e pedi pra mandar ver.

Tinha passado o dia trabalhando com o cabelo – que eu estava odiando! – preso e ele não pensou duas vezes: soltou e tascou a tesoura nele, marcado e seco mesmo. Fiquei gata! a cara do Zacarias.

O Salão, lotado, me olhava em pânico. Do meu lado, Maria a milionária piriguete do BBB, até gagejou no telefone quando viu. Ela era a próxima na mão do cara. As pessoas passavam pra ver a própria e levavam a visão do Zacarias aqui de brinde.

Investi numa missão de ignorar a própria imagem no espelho a todo custo e só me chamaram para lavar o cabelo umas 30 horas uma meia hora depois.

Foi aí que me apaixonei perdidamente por mais uma franja: a minha! Tudo bem, dá trabalho, pinica, acordo de moicano todo dia e aparento ter 14 anos. Não sei se vai durar, mas tô curtindo.)

Bang!

Modas das gringas

Numa das tardes em Barcelona (pena que foi uma das últimas) resolvi fazer meu lado Sartorialist aflorar e inventei de fotografar toda e qualquer gringa que cruzasse meu caminho vestindo algo digno de nota. Não precisava ser lindo – coisas meio esquisitas chamam muito mais a atenção – se carregasse alguma informação de moda estava valendo.

O início da brincadeira deu nisso:

As turistas japas nunca decepcionam. São sempre as primeiras a me chamar a atenção.

Tipica européia: echarpe, listras, skinny e sapatilhas. É a mesma coisa desde que eu morei lá, há 5 anos – quando essas coisas todas eram novidade pra mim. Hoje já virou um clássico.

Já deu pra ver muuuuitos polka dots, em meninas que pareciam não estar exatamente preocupadas em seguir as últimas tendências – o que significa que pegou MESMO.

CATAPLOFT!

Amei as pulseiras, as bolsas, a saia, a câmera. QUERO TUDO!

Um color blocking ainda tímido aqui e ali. Nas lojas está bombando. Na rua isso foi o máximo que vi.

Outra que tombou com todo mundo. Cara de estrela de cinema, trench incrível e as botas… alguém reparou?

Esse velhinho é bem do estilo que o Scott Schumann – o Sartorialist original – gosta e, coitado, estava solitário e puxava papo com todo mundo. Velhinho alinhado assim é bem coisa das europa.

Tirar foto de criança é bem tenso, muitas das mães ficam bravas – e a foto clandestina acaba ficando boooa. Mesmo assim, não consegui resistir à mistura de estampas.

Toda viagem tem muita, muita imagem pra se inspirar. Fico até triste de sempre ter tido preguiça – e uma vergonha enorme – de apontar a câmera pra qualquer outra coisa que não fosse os monumentos de praxe.

E a it girl do dia. Fala, dá pra resistir a essa fofura?

Petits souvenirs d’une soirée anniversaire

Algumas imagens de um encontro improvisado num dia muito especial <3

Linda, sua linda.

Enquanto a gente só ouve falar de Stella e C&A  e Stella, resolvi lembrar um pouco de Linda McCartney, sua mãe. Mais importante do que entrar nessa histeria coletiva  é dar um passo pra trás e entender: quais são as referências de Stella? De onde vem o seu trabalho?

Linda Mc Cartney nunca foi exatamente um ícone de estilo. Fotógrafa renomada (mesmo antes de conhecer e se casar com Paul McCartney), carregava um ar I’m too cool for fashion.

Cool. Linda parecia muito cool até para os Beatles. Vivia de fotografar gente como Janes Joplin, Mick Jagger e Jim Morrison (e, muitas vezes, ser fotografada por eles) - esse era seu dia-a-dia.

 

I’m with the band.

É uma época que coincide com a infância de Stella, nascida em 1971: a carreira do pai depois Beatles, a vida jetsetter contrastada com a infância no interior – que Linda e Paul tiveram a preocupação de dar para os quatro filhos.

Em várias ocasiões, tanto Stella quanto Mary (que também é fotógrafa) mencionam a influência que Linda tem no seus respectivos trabalhos. O ativismo ambiental e a bandeira vegan que Stella carrega até no que diz respeito aos materiais usado em suas coleções veio exatamente da mãe (e foi adotada pela família toda).

Linda traduz bem o estilo nonchalant do fim dos 60 e anos 70 vamos esquecer a fase mullet que veio depois, não por acaso tão celebrado hoje (alguém aí pensou em Annie Hall?). Sem adornos e sempre brincando com o masculino-feminino. Essas, talvez não por acaso, são as linhas gerais do trabalho da filha famosa: simplicidade com sofisticação e o boyish-contemporâneo-de-mulher-chique.

Não é muito Annie Hall?

Se temos Stella hoje, agradecemos a Linda.

(Ah, a coleção da Stella pra C&A chega hoje nas lojas selecionadas)

Na pizzaria

 

 

I was five and he was six
We rode on horses made of sticks
He wore black and I wore white
He would always win the fight

Bang bang
He shot me down

bang bang
I hit the ground ,

bang bang
That awful sound

bang bang
My baby shot me down

(***)

Eu sabia que ia te encontrar hoje. Eu sempre sei quando vou te encontrar. Hoje, de todos os dias, eu não desci para a pizzaria de chinelo e moletom, como a gente sempre fazia. Coloquei maquiagem e cílios postiços pra jantar com o meu irmão. Lógico que eu já sabia.

Mesmo assim, é sempre aquele gelo na espinha em te ver. Sabe, até hoje eu não tenho mesmo certeza que você existe. Passava noites revirando com síndrome de John Nash, pensando que eu poderia ter te inventado – até aquele dia que você bateu o maior papo em alemão com o taxista (em uma das nossas viagens glamurosas que você sempre planejava sozinho) e eu me derretia feito criança, como sempre aconteceu desde o dia que você resolveu discutir cinema russo comigo e me fazer escutar Chet Baker. Você lembra daquela cena do Kill Bill 2, quando o Bill está contando histórias e tocando flauta para a B. Kiddo? Claro que você lembra! Você sabe tudo dessas coisas bacanas e você faz que acha tão bonitinho que eu sei também, de um jeito tão paternal que diz: peraí, que eu vou te ensinar o resto.

E desse mesmo jeito, nessa mesma eloquência, você explicava uma coisa qualquer na pizzaria quando eu te vi. Existe uma mágica em te assistir falar com outras pessoas, com as mesmas mãos que mexem e te atropelam, com os mesmos olhos que mudam de cor e a risada sarcástica de quem tem toda a atenção e os olhares do mundo. Eu sei que a gente não se cumprimenta, mas eu sorri pra você montes e bati meus cílios postiços em orgulho de ter ver fazer aquilo tudo, até hoje, sozinho. Still, you blow my mind.

Eu sabia que eu ia te encontrar. Foi só por isso que eu levei Simone de Beauvoir para ler na pizzaria, afinal, meu irmão sempre se atrasa e você sabe que isso me tira do sério. Mas eu levei meu livro e eu fiquei, linda, calma, de cílios postiços, lendo Simone só pra você ver. I bet you’d be so proud of me too.

Eu não sei o que é que nessa distância de você, mesmo que você esteja logo ali na minha frente, me deixa tão feliz. Lembra que você me fazia sentir a mais comum das mulheres e que isso me matava? Lembra do tanto que chorei e tentei entender e desabafei pela minha tristeza em ter o homem da minha vida do meu lado e não conseguir, por nada, ser a mulher da vida dele? Hoje, em brincar desse faz de conta que a gente nunca se conheceu, eu me divirto. Eu sorrio, eu bato os cílios, eu leio só pra você. Eu gargalho alto, eu conto as melhores histórias, eu falo coisas que eu sei que você vai discordar só pra você não se aguentar e dar uma opinião. Eu te vejo olhando de rabo de olho, esquecendo suas frases da sua própria conversa eloquente, e isso é o melhor prêmio do mundo, muito melhor do que estar ao seu lado.

Você está com a sua namorada e eu estou com meu irmão num sábado à noite. É muito mais divertido do que todas as outras que jantamos juntos, pra falar à verdade.

Talvez porque você me pareça tão velho, olhando daqui. Sua namorada é linda (parabéns!) mas ela tem o que, trinta e cinco anos? Seus amigos estão com um bebê à mesa. Man, you are old. Eu posso até me corrigir e perceber que você só nasceu em 1981, mas você me parece muito, muito velho.

E como uma criança eu ainda fico ali na mesa vizinha te admirando. Igual quando você me falou sobre cinema russo, enquanto ouvia Chet Baker. Só que agora é muito melhor. O seu sábado á noite, com a sua namorada, é na pizzaria vizinha à minha casa, com seus casais de amigos e seus bebês. Eu tenho certeza que vocês não passam finais de semanas bêbados entre filmes e músicas e guitar hero e jantares às três da manhã e cafés da manhã às três da tarde.  Só sobrou a sua pizza de mussarela de sempre, que a gente comia na cama, no chão ou no sofá. E você aí se contorcendo na cadeira pra me ignorar. Poor old man.

Mesmo assim, pra sempre, quando você passar, vou bater os cílios. que feliz.

 

Por falar em coisas perturbadoras, emocionantes e lindas

Guernica, tô chegando

Estou planejando uma viagem de 10 dias para a Espanha que é a minha mais nova alegria. Faz tanto, tanto tempo que não viajo que pareço criança contando os dias pro aniversário (mesmo porque vai coincidir). Andei pesquisando – menos do que queria – sobre hotspots em Madri e Barcelona, na esperança de logo logo fazer com que essas dicas virem posts aqui  – mesmo porque acabei descobrindo que achamos toneladas de dicas de NYC e Paris nos blogs, mas cadê minhas cidades espanholas? Necas.

Numas dessas noites sem sono que têm aparecido diariamente pra mim, fiquei de olho arregalado encarando o teto e pensando na Espanha. O que eu não posso deixar de fazer nesses escassos 10 dias?

Não são compras, não são restaurantes ou balada. O que eu vi ali no meu teto, no escuro, foi Guernica.

Pablo Picasso - Guernica

Guernica é o único quadro que eu idolatro mas ainda não vi ao vivo. Meus amigos sabem bem da minha tara por certos quadros, tanto que toda vez que um viaja eu ganho um cartão postal do próprio (thanks, Dani).

Como divagar durante insônia é quase igual sonhar (um homem passa com uma bengala e daí a pouco você está numa floresta correndo de ursos – alguém mais tem sonhos assim?), parei pra pensar por que – ô, meu Deus – eu sou a freak dos museus?

Tenho uma cultura de arte até bem da medíocre. Queria ser igual meu irmão que lê sobre Matisse e Henri-Cartier Bresson, mas vá lá, ainda não rolou. Tanto eu quando ele (duh!) viemos de uma família de pais médicos, tios engenheiros e avô administrador público. Arts don’t run in the family, I must say.

Da minha infância, lembro de poucas gravuras na parede (que um colega metido a besta resolveu quotar em plena festa de aniversário) e um livro do Magritte em cima da mesinha de centro (esse, me dava certo um certo pavor misturado com curiosidade enquanto criança – o que piorava muito dada a temática nu bizarro de algumas obras).

René Magritte - The rape

Eu nunca aprendi muito a fundo sobre o tema. O pouco que sei, foi  nos meus semestres de design, e esponjando em qualquer chance tive, principalmente através dos audioguides e plaquinhas explicativas. Muito coração aberto para se apaixonar por coisas lindas ou instigantes ajuda bastante.

Quando eu fiz treze anos meu avô me levou pra viajar. Meu avô não é exatamente do tipo culturalóide, mas é desse momento que eu lembro das primeiras refêrencias do que eu amo hoje. Minha avó poderia ter me levado à Chanel – se ela ao menos tivesse pisado em uma Chanel na vida – mas ela me levou ao Pompidou.

Desde sempre, meu entendimento é muito mais intuitivo do que teórico. É o medo de Magritte e o encanto com a bailarina de Degas – que eu vi numa visita ao MASP numa excursão de colégio (na verdade, fui descobrir anos depois, ela mora mesmo no Orsay).

Edgar Degas - Ballerine de 14 ans

É ter a minha avó comparando a Sagrada Família com os castelos que a gente fazia, todas as férias, nas areias de Copacabana (sim, assim como os gringos e os travestis, eu também frequentei a praia de copacabana) – é só misturar areia com muita água e ir, com as mãos, pingando gotinha por gotinha até montar cada torre (e eventualmente eu meu distraía e corria para brincar, deixando a obra inacabada). Torres de Gaudí.

É ver as meninas de Renoir, de rosa e azul, e falar “Mãe, eu quero o laço rosa”.

Auguste Renoir - Les Filles Cahen D'Anvers

É entender, estudante sem grana na Europa, que Londres é cara mas os museus são de graça – e os áudio guides também! (E bora lá fazer compra no Tesco, encher a mochila de coca cola, ketchup, bolacha e chocolate, pra comer na National Gallery, depois dos Girassóis).

É sentir o orgulho do seu pai, na primeira visita ao Louvre já com 50 anos, ao te seguir pelas galerias por onde você anda como se fosse em casa.

É o salão de esculturas do Louvre à noite.

É lembrar de um quadro com um velho segurando uma vela – o jogo de luzes que é até hoje o mais incrível que já vi na vida! – numa parede secundária do Prado. Sem saber de quem é, de quando é, ou se vou encontrá-lo novamente na vida. (É uma das metas dessa viagem!)

É entrar no Orsay, desavisada, e me deparar com papéis de presente e caixas de biscoitos amanteigados – só que de verdade.

As celebrities das artes plásticas. Madamme Tusseaud pra quê?

É saber que os dias mais felizes da minha vida foram passados andando de bicicleta em direção a um museu de uma cidade qualquer.

É sentir a luz do sol gelado cortando o domo do British Museum durante mais um piquenique.

É o jardim de esculturas do Rodin.

É ser criança e imaginar um templo de conto de fadas construído há muuuitos e muuuuitos anos à beira do mar na Grécia com uma deusa alada chamada Nike. Que acabou perdendo os braços. (Essa história mexia muito com a minha cabeça.)

Se a moda me encanta hoje, é por causa da fita rosa da menina de Renoir. É por causa da luz nos cetins, veludos, bordados e brocados da realeza de Velázquez.

É porque eu sei que a Gisele pode ser esquálida hoje, mas a Vênus de Milo tem uma pancinha na qual eu  me reconheço bem. E que tantas outras também tinham.

É olhar o azul cobalto que está aí em todas as coleções e pensar, Yves Klein. CMK, 0, 47, 167.

(tá, essa foto é meio ridícula!)

É se arrepiar só de lembrar que o vizinho de parede no MoMA do meu quadro preferido,

Van Gogh - Starry Night

é o meu outro quadro preferido:

Klimt - Der Kuss

(MoMA, meu lugar preferido no mundo.)

É também a outra noite estrelada, aquela que eu ganhei com tanta saudade numa foto no celular. Um dos melhores presentes da minha vida.

Van Gogh - Starry Night over Rhone

É o amor eterno pelo azul e amarelo, e azul e amarelo, e sempre azul e amarelo de Van Gogh.

Se eu choro toda vez que vou dar oi pro Starry Night, é que ele também me canta a letra mais emocionante que existe:

 

 

now I understand / what you tried to say to me / how you suffered for your sanity / how you tried to set them free

they did not listen / they did not know how / perhaps they’ll listen now

 

Lindeza a gente vê primeiro com o coração.

Guernica, me espera?

 

(O Guernica está no Reina Sofia, em Madri – e é pra lá que eu vou.

Mais da tara por Starry night aqui.)

Xote das meninas

Mandacaru quando flora na seca / É o sinal que a chuva chega no sertão / Toda menina que enjôa da boneca / É sinal que o amor já chegou no coração

Meia comprida / Não quer mais sapato baixo / Vestido bem cintado / Não quer mais vestir chitão

Ela só quer / Só pensa em namorar / Ela só quer / Só pensa em namorar

(Luiz Gonzaga – Xote das Meninas)

 

Quando criei o nome do blog, não sabia exatamente qual seria a pauta, mas sabia que seria papo de mulherzinha, das meninas, Des filles. Moda, claro, sempre; maquiagem talvez, não sou especialista (mando muito bem, modéstia a parte, minhas amigas que o digam, mas o melhor blog do brasil sil sil é de maquiagem, pra quê entrar nessa?) e qualquer outra coisa que me desse vontade – dessas de tirar o sono – de escrever. Eu já sabia que ia chegar até esse ponto, afinal, eu já tive dois blogs e os dois cairam pra esse lado. Só não imaginei que seria tão cedo.

Venho, então, num lapso de coragem abrir uma tag que, quem me conhece sabe que é completamente a minha cara, o cúmulo da exposição. Segurei o quanto pude, me perguntando, cheia de dúvidas há vários dias. Abri até enquete no twitter (meu mais novo esporte do meio dia, tão divertido!) mas hoje não deu mais pra segurar. Me peguei num almoço de negócios com aquela que é o exemplo de papo de mulherzinha muito bem escrito – tanto, que hoje é feito pros meninos – Tati Bernardi. A gente pode dar quote dela, falar que ela é demais, mas a gente também pode parar e falar: peraí, ela escreve isso que eu tenho tanta vontade e tanto medo de escrever. E escreve bem, a danada! Talvez eu também possa.

Pra ser completamente sincera, a maior parte do tempo eu não quero só falar de roupa (ufa!!!!). O que eu gosto mesmo é de falar de paixão. Como minha paixão passa por moda dia sim e outro também, a gente direciona. É melhor aceito isso das meninas de gostarem de se enfeitar. É muito mais fácil ver uma menina bonitinha mostrando uma sapato do que uma mulher louca abrindo o coração.

Como estou no comecinho, ainda tenho muito medo, lá no escopo lado A dos DesFilles, de cair no mais do mesmo (e sei que caio, vou cair, me dou o direito de continuar tentando) e ficar em papinho pequeno “gente, tem que combinar isso com isso e pode isso não pode aquilo, essa marca é deusa tudo e blablabla”. Esse risco é muuuito maior ao falar de coisas que tiram nosso chão, ainda mais quando essas coisas são pessoas. Lugar comum, é tudo tão banal, todo mundo vive essas coisas, não é mesmo? Pois é. Mas quando eu vou lá e pego um filme de 1941, é isso que o cara quer mostrar.

Completamente universal, completamente comum e completamente fascinante. Eu quero ficar aqui varando a noite, linhas e linhas de insonia. E dar risada, daqui a anos. Ou sentir tudo igual daqui a anos. Banalidade por banalidade, eu abro a tag que tenho vontade, pra me fazer escrever. Considere esse o meu Esmalte de semana. Então, decretado e justificado. Está feito. É uma tag que não vai ter hora nem obrigação de aparecer.

E viva a independência editorial!

 

Le plus beau vêtement qui puisse habiller une femme, ce sont les bras de l’ homme qu’elle aime.

(A roupa mais bonita para vestir uma mulher são os braços do homem que ela ama)

Não fui eu que falei isso. Foi o Yves Saint Laurent. RESPECT.


Férias forçadas

Gente, é um choque dizer isso, mas eu não sou blogueira profissional. Não ganho nem um real com o blog (nem tenho essa entre as 10 principais metas desse espaço, mas disso eu falo depois) e escrevo por amor às modas e às letras (ás vezes mais à um que ao outro, varia).

Fui obrigada a colocar o Des Filles de lado - logo agora que ele foi ao ar! – desde o carnaval e fui atropelada por outros acontecimentos do trabalho de verdade, aí já viu. Enquanto isso, muitas outras coisas tomaram meus olhos e minha vontade de escrever (eles seguem o coração, né) – o que é até bom, a gente revê tudo: o olhar, as opiniões, as idéias.

Enquanto não dá tempo de voltar com tudo, minhas desculpas de neo-blogueira e um sonzinho que fala muito desse clima de férias e verão que chegou dentro de mim bem junto com o trabalho e o frio em São Paulo.

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